Deputada Ana Perugini cobra cumprimento de lei que prevê debate sobre violência doméstica
A lei Maria da Penha não vem sendo aplicada corretamente no Estado de São Paulo. É o que afirma a deputada estadual Ana Perugini (PT), procuradora especial das Mulheres da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Durante o curso “Letramento de gênero: enfrentando a violência contra as mulheres”, realizado na Alesp, a parlamentar cobrou o cumprimento da lei, que prevê o debate sobre violência doméstica em salas de aula.
“Nós temos uma lei que obriga a tratarmos a violência contra
a mulher nas escolas. A lei nº 11.340/2006 [Maria da Penha] prevê isso. Eu
procurei no calendário escolar de 2026 e não tem uma aula prevista. Nós temos
uma legislação que traz a prevenção, mas nós chegamos no feminicídio por quê?
Porque não tratamos do que vem antes dele. Não tratamos da prevenção”, apontou
a procuradora.
Ana Perugini classificou o encontro como fundamental para
que se entenda o momento atual. “Esse debate nos ajuda a entender melhor o
adoecimento do patriarcado que persiste no nosso país. Nós temos visto o
agravamento de crimes com requintes de crueldade. Essa violência se inicia no
processo de apropriação, quando homens se sentem donos das mulheres. Precisamos
construir uma outra forma de cultura”, destacou a parlamentar.
Representando a Procuradoria de Justiça Criminal do
Ministério Público de São Paulo, a procuradora Nathalie Malveiro apontou a
necessidade do apoio masculino. “Os homens têm papel fundamental no combate à
violência. O machista não vai ouvir uma mulher. Vai ouvir um homem”, enfatizou
Nathalie.
O diretor-executivo do ILP (Instituto do Legislativo
Paulista), Daniel Garroux, também apontou a necessidade de os homens se
engajarem: “O ILP fica muito honrado em receber esse evento. Vimos recentemente
os índices de feminicídio e ficamos todos horrorizados. A escolha do tema
aborda a dimensão cultural do fenômeno. Não estamos falando só de punição, mas
também da perspectiva cultural, daquilo que os sujeitos que estão agindo na
sociedade estão pensando sobre o tema. Mudar isso exige educação e mudança de práticas
sociais. Todos os homens precisam participar dessa discussão”, pontuou Garroux.
Já pautando a violência sexual contra crianças e
adolescentes, a coordenadora do Núcleo de Gênero do Ministério Público, Vanessa
Almeida, relembrou o caso de fevereiro deste ano, quando um homem de 35 anos
foi condenado por estupro de vulnerável ao viver com uma menina de 12 anos, em
Minas Gerais. “Quando falamos de crianças e adolescentes de até 14, não importa
se há consentimento. É estupro de vulnerável”, enfatizou a promotora.
A atividade fez parte da agenda do Parlamento Paulista no
mês de luta das mulheres e contou com a presença de vereadoras, estudantes e
lideranças no auditório do ILP, além do público remoto.

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