Política
Entidade aponta risco de prejuízos à atuação jurídica na Casa Legislativa de Sumaré

ANAPM questiona ponto eletrônico para procuradores do Legislativo de Sumaré

Associação nacional sustenta que exigência de registro biométrico viola as prerrogativas constitucionais da advocacia pública e compromete autonomia funcional dos procuradores; ação civil pública pede suspensão imediata da medida

A Associação Nacional da Advocacia Pública Municipal (ANAPM) ingressou com ação civil pública contra a Câmara de Sumaré, questionando a imposição de controle rígido de jornada aos procuradores legislativos por meio de ponto eletrônico com reconhecimento facial.

A entidade, que possui atuação nacional e representa procuradores municipais em diversos estados, argumenta que a medida viola prerrogativas constitucionais da advocacia pública, especialmente a autonomia funcional e a independência técnica garantidas pela Constituição Federal.

Segundo a ANAPM, o caso não se limita a uma discussão administrativa interna. A associação sustenta que a exigência de controle de frequência atinge diretamente o modelo constitucional da advocacia pública, considerada função essencial à Justiça.

Na ação, a entidade afirma que o trabalho dos procuradores municipais possui natureza predominantemente intelectual e estratégica, o que exige flexibilidade de horários, realização de atividades externas e dedicação incompatível com controle rígido de ponto.

A ANAPM também destacou decisões recentes que consideram incompatível o controle de ponto com a atividade de procuradores municipais, justamente pela necessidade de independência funcional.

AUTONOMIA E CONTROLE

Um dos principais pontos da ação é a defesa de que o controle de jornada por meio biométrico ou eletrônico compromete a eficiência do serviço público, ao restringir a atuação dos procuradores.

A entidade argumenta que atividades como participação em audiências, elaboração de peças processuais, reuniões institucionais e estudos jurídicos não podem ser mensuradas por presença física em horários fixos.

Como alternativa, defende a adoção de mecanismos de avaliação baseados em produtividade e qualidade do trabalho. Segundo a entidade, há risco de dano imediato, já que o descumprimento da exigência pode resultar em descontos salariais e restrições ao exercício profissional.

IMPACTO AMPLIADO

Embora o caso trate especificamente da Câmara de Sumaré, a associação sustenta que a decisão judicial poderá ter repercussão mais ampla, influenciando a organização das procuradorias legislativas em outros municípios.

OUTRO LADO

Procurada pelo Tribuna Liberal, a Câmara de Sumaré informou que “respeita as prerrogativas constitucionais da advocacia pública, garantindo a autonomia funcional e independência técnica garantidas pela Constituição Federal, sendo tal fato já informado nos autos da ação civil pública”.


 

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