Polícia
Armas e munições foram apreendidas em imóvel pertencente ao ex-secretário de Educação de Sumaré

PF apreende armas e munições em imóvel de ex-secretário de Luiz Dalben em Sumaré

Nova etapa da Operação Coffee Break se aprofunda em Sumaré e ex-secretário municipal de Educação voltou a ser alvo da Polícia Federal; armas e centenas de munições foram recolhidas em imóvel do investigado

A PF (Polícia Federal) deflagrou nesta quinta-feira (15) nova fase da Operação Coffee Break e voltou a concentrar as atenções em Sumaré, município que figura entre os principais alvos das apurações sobre fraudes em contratos públicos da área da educação.

Nesta terceira etapa da operação, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão. Em um imóvel de Sumaré, pertencente a José Aparecido Ribeiro Marin, ex-secretário municipal de Educação do governo Luiz Dalben, foram apreendidas 11 armas de fogo e aproximadamente 400 munições.

De acordo com informações apuradas, Marin não estava no imóvel na hora da operação e o armamento estaria regularizado, uma vez que o ex-secretário teria registro de Caçador, Atirador e Colecionador, o chamado CAC.

Além de Sumaré, a PF também realizou diligências em Jundiaí. Ao todo, três mandados de busca foram cumpridos nesta fase, sem prisões. A Justiça Federal também determinou o bloqueio de bens de investigados, ampliando o cerco patrimonial contra os suspeitos de integrar o esquema. 

As investigações dão sequência à operação iniciada em novembro de 2025, quando a PF cumpriu 50 mandados de busca e apreensão e seis de prisão preventiva em São Paulo, Distrito Federal e Paraná.

Marin chegou a ser alvo de mandado de prisão naquela ocasião, mas não foi encontrado. Posteriormente, obteve habeas corpus, como informou o Tribuna Liberal na decisão que soltou o vice-prefeito afastado de Hortolândia, Carlos Augusto César, o Cafu César (PSB), em 11 de dezembro de 2025. A defesa de Cafu disse, na ocasião, que os demais investigados na operação seriam contemplados com habeas corpus.

De acordo com as investigações, o ex-secretário de Sumaré é apontado como articulador local de um esquema que teria direcionado licitações e liberado pagamentos públicos em troca de propina, beneficiando a empresa Life Tecnologia Educacional. A apuração indica que contratos firmados entre 2020 e 2021 apresentariam sobrepreço na aquisição de produtos fornecidos às prefeituras investigadas.

O inquérito também identificou a possível participação de servidores da rede municipal de Sumaré. Dois professores teriam assinado documentos que desclassificaram concorrentes da Life em processos licitatórios e, segundo a investigação, receberam valores que somam R$ 38 mil. Uma servidora ligada ao Centro de Formação de Educadores Municipais também é citada, com suspeita de ter recebido cerca de R$ 187 mil. Todos foram alvos de mandados de busca na ocasião.

Durante a operação em novembro, a PF também cumpriu mandado na sede da Prefeitura de Sumaré, onde foram apreendidos computadores, documentos e processos administrativos relacionados aos contratos em apuração. A atual administração municipal informou na época que colabora integralmente com as autoridades e ressaltou que os contratos sob investigação não pertencem ao governo atual.

Na ocasião, o ex-prefeito Luiz Dalben declarou que tomou conhecimento da operação “pela imprensa” e reiterou que sua gestão sempre foi pautada pelos princípios da “legalidade e moralidade”.

“Nesta etapa, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão no estado de São Paulo, além da execução de medidas de constrição patrimonial autorizadas judicialmente. Os investigados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, por crimes relacionados à corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e organização criminosa”, informou a PF nesta quinta-feira.

HORTOLÂNDIA

O esquema investigado pela PF ganhou dimensão ainda maior ao atingir também Hortolândia, onde o vice-prefeito Cafu César foi preso preventivamente em novembro. Posteriormente, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região concedeu habeas corpus, substituindo a prisão por medidas cautelares, incluindo afastamento do cargo e monitoramento eletrônico.

Após a operação, em 14 de novembro, a Prefeitura de Hortolândia exonerou integrantes do alto escalão, como o próprio vice-prefeito, então secretário de Governo; Rogério Mion, secretário de Habitação (que foi alvo de mandado de busca e apreensão); Fernando Gomes de Moraes, então secretário de Educação, Ciência e Tecnologia (que foi preso preventivamente e está solto); e Carla Ariane Trindade, diretora de departamento (também alvo de mandado de busca e apreensão). 

OUTRO LADO

O escritório Campagnollo Bueno & Nascimento Advogados, responsável pela defesa de José Aparecido Ribeiro Marin, informou que, até o presente momento, não teve acesso integral aos autos nem aos desdobramentos da operação deflagrada nesta quinta, denominada Operação Coffee Break 2, razão pela qual aguarda a devida disponibilização das informações oficiais e manifestação detalhada.

“Não obstante, a defesa informa, desde já, que os armamentos apreendidos encontram-se devidamente regularizados, sendo José Aparecido Marin registrado como CAC (Caçador, Atirador e Colecionador), com todos os certificados de registro e demais autorizações exigidas pela legislação vigente, compatíveis com a sua condição de colecionador", diz nota do escritório.

"Esclarece-se, ainda, que toda a documentação pertinente aos registros e certificados já se encontra em posse da Polícia Federal, inexistindo qualquer irregularidade quanto à origem, posse ou manutenção dos referidos armamentos. A defesa reafirma sua confiança na atuação técnica das autoridades e permanece à disposição para os esclarecimentos necessários, tão logo tenha acesso completo aos autos”, conclui Campagnollo Bueno & Nascimento Advogados.

 

 

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