Polícia
Morador chegou a ficar no Centro de Detenção Provisória de Americana até ser transferido

Erro de identidade mantém morador de Americana preso injustamente por um ano e dois meses

Pintor Pablo Rufino de Souza, de 38 anos, só deixou a prisão no último dia 21 de janeiro, após atuação de um advogado que conseguiu comprovar à Justiça o equívoco ocorrido durante cumprimento de mandado de prisão do Espírito Santo

Um grave erro de identificação levou um morador de Americana a permanecer preso injustamente por um ano e dois meses. Aos 38 anos, o pintor Pablo Rufino de Souza foi confundido com outra pessoa de nome semelhante, condenado por tráfico de drogas no Espírito Santo.

A falha envolveu a troca de dados entre Pablo Rufino de Souza e Pablo Rufino Souza, sem o “de” no sobrenome. Apesar de possuírem nomes parecidos, os dois homens têm datas de nascimento, filiação e documentos completamente diferentes.

O morador de Americana só deixou a prisão no dia 21 de janeiro, após a atuação de um advogado que conseguiu comprovar à Justiça o equívoco ocorrido durante o cumprimento do mandado de prisão.

A decisão que reconheceu o erro foi formalizada nesta quinta-feira (29). Para o advogado Luís Carlos Gazarini, responsável pela defesa, a situação é inadmissível diante da clareza das divergências entre os dados das duas pessoas envolvidas.

Segundo Gazarini, as informações pessoais do morador de Americana foram inseridas de forma equivocada no mandado de prisão de outro homem já condenado. Para ele, bastaria uma simples conferência para constatar que não se tratava da mesma pessoa.

A sequência de erros teve início em 3 de outubro de 2024, quando Pablo Rufino de Souza foi preso em Americana por descumprimento de medida protetiva. De acordo com a defesa, a prisão ocorreu após ele visitar os filhos, contrariando uma restrição judicial vigente.

No dia seguinte, a prisão foi ratificada durante audiência de custódia. Entretanto, em 24 de outubro do mesmo ano, foi expedido um alvará de soltura, que acabou não sendo cumprido em razão da falha no sistema judicial.

Ainda conforme o advogado, naquele mesmo período surgiu a informação sobre uma condenação no Espírito Santo, e os dados do morador de Americana foram indevidamente associados ao processo de execução penal de outra pessoa.

Com isso, Pablo permaneceu preso desde então, sendo transferido do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Americana para a Penitenciária de Itirapina, onde ficou até janeiro de 2026.

A família procurou Gazarini no dia 17 de janeiro deste ano. Após analisar os documentos, o advogado afirma ter identificado rapidamente as inconsistências e protocolado um pedido de habeas corpus para corrigir a situação.

Dois dias depois, em 19 de janeiro, a juíza da 2ª Vara Criminal de Viana, no Espírito Santo, responsável pelo processo de execução penal do verdadeiro condenado, determinou a expedição do alvará de soltura com caráter de máxima urgência.

O morador de Americana responde a outro processo em Nova Odessa. Caso haja condenação definitiva, o período de prisão injusta poderá ser utilizado para abatimento de eventual pena.

 

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