Polícia
Foram apreendidas ampolas, soros, seringas e medicamentos vencidos no Centro da cidade

Dise interdita clínica que misturava Mounjaro com soro em Americana

Polícia Civil investiga aplicação de medicamentos de forma irregular, inclusive por pessoas sem habilitação profissional, além de suspeitas de adulteração de substâncias utilizadas em tratamentos de perda de peso para aumentar os lucros

Uma clínica de emagrecimento localizada na região central de Americana foi interditada nesta quarta-feira (22) durante a Operação “Virtuosa”, deflagrada pela Polícia Civil. O estabelecimento é investigado por aplicar medicamentos de forma irregular, inclusive por pessoas sem habilitação profissional, além de suspeitas de adulteração de substâncias utilizadas em tratamentos para perda de peso. O local misturava Mounjaro com soro fisiológico para elevar o volume do produto e os lucros da empresa.

A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Americana, deflagrou a operação com o objetivo de cumprir mandado de busca e apreensão no imóvel situado na Rua 30 de Julho.

A ação foi autorizada pela Vara de Garantias da 4ª Região Administrativa Judiciária (RAJ) de Piracicaba e faz parte de uma investigação que apura a prática de crimes contra a saúde pública, previstos no artigo 273 do Código Penal. As diligências tiveram início após a Vigilância Sanitária de Americana encaminhar denúncia sobre a aplicação irregular de medicamentos no local.

De acordo com as investigações, havia indícios de que substâncias injetáveis, como o medicamento Mounjaro, estavam sendo administradas por pessoas sem habilitação profissional. Além disso, foi apurada a possível adulteração do produto, que estaria sendo diluído em soro fisiológico com o objetivo de aumentar o volume e potencializar os lucros.

Durante a apuração, os policiais identificaram a existência de um suposto tratamento denominado “Protocolo Monjfest”, no qual era utilizada a substância tirzepatida com finalidade emagrecedora. No entanto, a responsável pelos procedimentos não possui formação nas áreas de medicina ou biomedicina, o que configura exercício ilegal da atividade.

No cumprimento do mandado, a equipe contou com o apoio de fiscais da Vigilância Sanitária, que acompanharam a vistoria no imóvel. No local, foram apreendidas 57 ampolas de medicamentos injetáveis, 19 frascos de soro fisiológico, além de seringas, agulhas e diversos produtos armazenados de forma inadequada, incluindo medicamentos vencidos.

Também foram localizados quatro celulares, um tablet e três cadernos com anotações manuscritas relacionadas ao agendamento de pacientes e controle das aplicações, reforçando os indícios de prática contínua da atividade irregular.

Segundo a Polícia Civil, foram encontrados ainda frascos contendo tirzepatida, substância cuja comercialização está proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A responsável pela clínica e uma funcionária, que atuava no agendamento de clientes, foram conduzidas à sede da Dise de Americana, onde prestaram depoimento acompanhadas por advogado.

Diante das irregularidades constatadas, o estabelecimento foi interditado e lacrado pela Vigilância Sanitária e permanecerá fechado até nova decisão dos órgãos competentes. A Polícia Civil informou que será instaurado inquérito policial para aprofundar as investigações e apurar a responsabilidade criminal dos envolvidos.


 

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