Acidente que matou duas jovens em Americana pode evoluir a dolo eventual
Delegado explica que novos elementos podem alterar enquadramento jurídico da colisão que vitimou duas adolescentes de 15 anos; imagens indicam que veículo trafegava em velocidade acima da permitida para via
A investigação sobre o acidente que resultou na morte das
adolescentes Maria Eduarda de Souza Almeida e Lídia Moraes Aguiar, ambas de 15
anos, em Americana, pode ter o enquadramento jurídico alterado. Segundo o
delegado Odair José Jaeger, responsável pelo caso, novos elementos colhidos
pela Polícia Civil apontam que o condutor do veículo estaria em velocidade
acima da permitida, o que pode levar à análise de dolo eventual — quando o
motorista assume o risco de provocar o acidente.
De acordo com a autoridade policial, imagens reunidas
durante a apuração mostram que o automóvel trafegava em alta velocidade no
momento da colisão. O acidente ocorreu na Rua Igaratá, no bairro Jardim
Ipiranga, onde o veículo modelo Vectra atingiu um poste na madrugada do último
dia 17.
Conforme explicou o delegado, os registros audiovisuais
reforçam a hipótese de que a conduta pode ultrapassar o campo da culpa. “Foram
obtidos elementos que podem afastar a culpa e levar ao entendimento de dolo. As
imagens evidenciam o excesso de velocidade”, declarou.
Os vídeos foram encaminhados ao Instituto de Criminalística
(IC), que ficará responsável pela perícia técnica. O objetivo é determinar a
velocidade aproximada desenvolvida pelo veículo e compará-la ao limite
regulamentado para a via. O laudo será fundamental para a definição da
tipificação penal do caso.
Além da análise das imagens, a investigação também aguarda o
laudo do Instituto Médico Legal (IML). O exame deve esclarecer se o motorista
havia ingerido bebida alcoólica antes do acidente, informação considerada
relevante para o andamento do inquérito.
A colisão aconteceu por volta de 0h25. No carro estavam o
motorista, de 40 anos, a companheira, a filha dele e quatro amigas da
adolescente. Com o impacto contra o poste, duas jovens de 15 anos não
resistiram aos ferimentos e morreram.
O condutor chegou a ser preso em flagrante após se recusar a
realizar o teste do bafômetro, mas foi liberado após audiência de custódia e
responde ao processo em liberdade. Com os novos elementos reunidos, a Polícia
Civil avalia a possibilidade de alterar o enquadramento jurídico do caso nos
próximos dias.

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