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Venda envolve áreas utilizadas há décadas para pesquisas agropecuárias no Estado, como a do IZ

TJ-SP mantém suspensão de audiência de venda de área do IZ em Nova Odessa

Entre imóveis discutidos em ação está sede do Instituto de Zootecnia (IZ), em Nova Odessa, um dos principais centros científicos do setor no Estado de São Paulo; desembargadores apontaram falhas no processo conduzido pelo governo 

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) decidiu manter a suspensão da audiência pública que discutiria a venda de áreas de pesquisa agropecuária no Estado — entre elas, a sede do Instituto de Zootecnia (IZ), localizada em Nova Odessa.  

O julgamento ocorreu na 3ª Câmara de Direito Público e teve decisão unânime, com relatoria do desembargador Kleber Leyser de Aquino. Os magistrados rejeitaram o recurso apresentado pelo governo estadual, que buscava validar a realização da audiência com base em uma autorização legislativa genérica. 

No entendimento do tribunal, áreas destinadas à pesquisa científica possuem caráter estratégico e exigem tratamento diferenciado, inclusive com autorização específica do Legislativo para eventual alienação. Além disso, a Corte apontou falhas no modelo adotado para convocação da audiência, apontando que a simples publicação no Diário Oficial não garante participação efetiva da sociedade e da comunidade científica. 

O caso envolve a possível venda de cerca de 1.300 hectares de áreas experimentais distribuídas em diversas regiões do Estado, utilizadas em estudos voltados à produção agrícola, pecuária e desenvolvimento tecnológico no campo. Em Nova Odessa, a proposta inclui a estrutura do Instituto de Zootecnia, referência em pesquisas voltadas à pecuária e genética animal. 

A ação que resultou na suspensão da audiência foi movida pela Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), que questiona a ausência de estudos técnicos e de planos para continuidade das pesquisas. A entidade argumenta que essas áreas são fundamentais para o avanço científico, a segurança alimentar e a adaptação às mudanças climáticas. 

Na decisão, os desembargadores disseram que, embora a venda de bens públicos não seja proibida, ela deve seguir critérios rigorosos, especialmente quando envolve patrimônio ligado à produção de conhecimento. Também foi destacado que a comunidade científica precisa ter acesso a informações detalhadas antes de qualquer discussão pública. 

Em decisão anterior relacionada ao caso, o tribunal já havia determinado que o Estado apresentasse um plano de ação sobre as pesquisas realizadas nessas áreas, além de estudos econômicos que justificassem a proposta de venda. Esses documentos deveriam ser disponibilizados com antecedência mínima para garantir uma análise qualificada pelos envolvidos. 

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado recorreu da decisão e acompanha o andamento do processo. O caso segue em discussão e eleva o debate sobre o futuro das áreas públicas voltadas à pesquisa no Estado, especialmente em municípios como Nova Odessa, onde a atividade científica tem papel histórico. 


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