Superlotação e atrasos afetam usuários do transporte metropolitano em Sumaré
Passageiros enfrentam ônibus que não param nos pontos devido a casos de lotação e aplicativos indicam horários que não são cumpridos na prática nas linhas 663 e 664, as principais opções para moradores da cidade até Campinas
A rotina de quem depende do transporte metropolitano em
Sumaré tem sido marcada por superlotação, atrasos e incertezas. É o que relata
a auxiliar administrativa Maria Eduarda Cardoso Crisanto, de 20 anos, moradora
do Ângelo Tomazin.
Segundo ela, as únicas opções para chegar até a Rodoviária de Campinas são as linhas 663 e 664, que já saem cheias dos bairros e, muitas vezes, sequer param nos pontos ao longo do trajeto. “Eu chego no ponto às 5h30 da manhã e, hoje, por exemplo, ele já estava lotado de gente. O pessoal disse que os ônibus tinham passado antes e não pararam porque estavam cheios. Depois disso, os outros também não paravam”, conta.
Maria Eduarda afirma que a situação se repete diariamente.
Mesmo quando consegue embarcar, o cenário é de extremo aperto. “É aquele nível
de ficar espremida na porta, sem espaço nenhum. Não cabe mais ninguém, nem em
pé”, relata.
Mais um problema apontado é a inconsistência nos horários. De acordo com a usuária, os aplicativos indicam uma frequência maior de ônibus do que a realmente praticada. “No aplicativo aparece que passa de 20 em 20 minutos, mas na realidade não é assim. Tem horário que passa um ônibus e o próximo só uma hora depois”, explica.
A auxiliar administrativa também destaca que a dificuldade não ocorre apenas no período da manhã. No retorno para casa, a situação se repete, com longos intervalos e veículos lotados.
Além disso, há indícios de redução na frota. Segundo ela, relatos de motoristas apontam que ônibus quebrados não são substituídos, o que diminuiria a quantidade de veículos em circulação. “Eles dizem que tem motorista, mas faltam ônibus. Quando um quebra, não arrumam rápido. E se o motorista está de folga ou férias, aquele horário simplesmente fica sem ônibus”, afirma.
Com isso, os coletivos acabam saindo dos bairros já com lotação máxima, impedindo o embarque de novos passageiros ao longo do percurso. “Quando o ônibus chega na pista, ele só para para descer gente. Não tem condição de subir mais ninguém”, completa.
Em meio a esse cenário, usuários cobram melhorias no serviço, com aumento da frota, cumprimento dos horários e melhores condições do transporte entre Sumaré e Campinas.
OUTRO LADO
Questionada pelo Tribuna Liberal, a Agência de Transporte do
Estado de São Paulo (Artesp) informou que iniciou apuração sobre essas
reclamações. “Equipes da Agência realizam fiscalizações na operação das linhas
e análise técnica das informações encaminhadas, inclusive por meio de ofício da
Prefeitura de Sumaré. Também foram realizadas reuniões com representantes do
município para tratar da situação”, afirmou.
ARTESP INICIA AUDITORIA PARA INVESTIGAR SUPOSTO
DESCUMPRIMENTO CONTRATUAL
Artesp informou ao Tribuna Liberal que deu início a uma
auditoria para apurar eventuais descumprimentos contratuais e operacionais por
parte das empresas prestadoras de serviço. “Caso sejam constatadas
irregularidades, serão adotadas as medidas regulatórias e sancionatórias
cabíveis. A Agência adota medidas para garantir a continuidade do atendimento à
população, assegurando a mobilidade nos municípios atendidos pelo sistema
metropolitano regular, com acompanhamento e monitoramento diário da operação”, afirmou.

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