Rios cheios, alerta ligado: abundância de água hoje não garante amanhã na região
Com vazões acima da média nas bacias PCJ, desperdício agrava cenário de abastecimento; Dia Mundial da Água, celebrado neste domingo, chama atenção para os desafios da gestão dos recursos hídricos
Mesmo com rios cheios neste início de 2026, a sensação de
abundância pode ser enganosa. Nas cidades da região, como Sumaré, Paulínia,
Americana, Monte Mor e Hortolândia, os principais mananciais registram boas
vazões — mas especialistas alertam: isso não significa segurança hídrica.
Dados mais recentes da Sala de Situação das Bacias PCJ,
ligada ao DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica) e à ANA (Agência
Nacional de Águas), mostram que, desde a metade de março, o cenário é um pouco
mais confortável do ponto de vista hidrológico — reflexo direto das chuvas 60%
acima da média.
Um dos principais mananciais da região, o Rio Atibaia, apresenta vazões elevadas em diferentes pontos de medição. Em Campinas, referência para o abastecimento regional, a vazão instantânea chegou a 176,07 metros cúbicos por segundo — número muito acima da média histórica, que gira em torno de 37 m³/s.
Outro componente importante do Sistema Cantareira é o Rio
Jaguari e seus afluentes. Embora o Rio Jaguari não apareça diretamente em todos
os pontos analisados, ele influencia a região por meio de reservatórios
interligados. Um exemplo é o Rio Atibainha, que registrou média mensal de 11,08
m³/s. Parte dessa água, no entanto, é desviada para abastecer a Grande São
Paulo, o que reduz a disponibilidade para as cidades das bacias PCJ.
O Rio Piracicaba, que dá nome à bacia, também apresenta
vazões elevadas neste momento. Em Americana, o rio registrou 353,88 m³/s,
enquanto em Piracicaba o volume chegou a 425,59 m³/s, ambos acima das médias
históricas para o período, impulsionados pelo bom desempenho de seus afluentes,
como Atibaia e Jaguari.
Na outra ponta, o Rio Capivari revela a fragilidade do
sistema. Embora tenha apresentado melhora recente com as chuvas e até atingido
a cota de transbordamento em Monte Mor, o manancial é historicamente mais
vulnerável, com baixa disponibilidade hídrica e alta sensibilidade a períodos
de estiagem e à poluição.
Na prática, os números indicam um cenário positivo em março:
rios com vazões dentro ou acima da normalidade, sem sinais imediatos de crise e
sob influência direta do período chuvoso. Mas essa fotografia momentânea não
elimina um problema estrutural. As bacias PCJ já enfrentaram, em anos recentes,
quedas expressivas nas vazões durante períodos de seca. A região depende de um
equilíbrio delicado entre chuva, preservação ambiental e consumo. O avanço da
urbanização, a pressão sobre os mananciais e o desvio de água para outros
sistemas tornam o abastecimento vulnerável a mudanças rápidas no clima.
O contraste entre o presente e o histórico recente reforça um alerta: rios cheios hoje não garantem água amanhã. Em um cenário de variabilidade climática e demanda crescente, a segurança hídrica da região continua sendo um desafio — mesmo quando os números parecem tranquilizadores.
DESAFIOS
O Dia Mundial da Água, celebrado neste domingo, 22 de março,
chama a atenção para os desafios cada vez mais urgentes da gestão dos recursos
hídricos. Em meio às mudanças climáticas, que tornam os regimes de chuva mais
imprevisíveis e intensificam períodos de estiagem, a eficiência no
abastecimento deixa de ser apenas uma questão operacional e passa a ser um tema
social e ambiental.
“Enquanto o planeta enfrenta as severas mudanças climáticas,
caracterizadas por regimes de chuvas imprevisíveis e períodos de estiagem
prolongados, o sistema de abastecimento brasileiro lida com um inimigo
silencioso e devastador: as elevadas taxas de perdas de água potável”, explica
Robson Costa, engenheiro ambiental e professor da Estácio.
Do ponto de vista ambiental, o desperdício pressiona ainda
mais os mananciais e aumenta o consumo de energia no bombeamento de água que
não será utilizada. Já no aspecto social, os prejuízos financeiros impactam
tarifas e dificultam investimentos na universalização do saneamento. “A solução
passa por modernização e eficiência: a adoção de redes inteligentes,
monitoramento digital e manutenção preventiva é fundamental para garantir
segurança hídrica e sustentabilidade no futuro”, afirma Costa.
QUANTO CUSTA DESPERDIÇAR ÁGUA ? MAIS DO QUE DINHEIRO,
IMPACTO RECAI SOBRE BEM FINITO
Neste Dia Mundial da Água, um tema simples do dia a dia
ganha peso: o desperdício. Em cidades da região, deixar uma torneira pingando
ou ignorar um vazamento pode parecer apenas um detalhe na conta — mas o custo
vai muito além do bolso.
Um vazamento pequeno, quase imperceptível, pode aumentar
significativamente o valor da fatura no fim do mês. Uma torneira pingando, por
exemplo, pode desperdiçar dezenas de litros por dia. Em casos mais graves, como
descargas com defeito ou caixas d’água com problemas, o volume perdido pode
chegar a milhares de litros mensais.
Na prática, isso significa pagar por uma água que sequer foi utilizada — e muitas vezes, o problema passa semanas sem ser percebido. As concessionárias apontam que os desperdícios mais frequentes estão em situações simples: torneiras pingando constantemente, válvulas de descarga desreguladas, caixas d’água com boia defeituosa, mangueiras com furos ou mau uso na limpeza e canos antigos com infiltrações silenciosas.
O mais preocupante é que muitos desses problemas são invisíveis no dia a dia — só aparecem quando a conta chega. Mas o verdadeiro impacto não está apenas no valor pago no fim do mês. A água tratada que chega às casas passa por um longo processo de captação, tratamento e distribuição. Em grande parte da região, ela vem de mananciais como o Rio Atibaia, Capivari e Piracicaba. Desperdiçar água tratada significa desperdiçar também energia, infraestrutura e um recurso natural limitado.
Em um cenário de mudanças climáticas e crescimento urbano acelerado, o que hoje parece abundante pode se tornar escasso — como já aconteceu em crises hídricas recentes. Combater o desperdício dentro de casa é uma das formas mais imediatas de contribuir para a preservação da água. Entre as medidas mais eficazes estão: fazer revisões periódicas nas instalações, fechar bem torneiras e registros, reduzir o tempo de banho e evitar lavar calçadas com mangueira. Mais do que economia, essas atitudes representam uma mudança de consciência.
No fim das contas, desperdiçar água não é apenas gastar mais
dinheiro, mas comprometer um recurso essencial para as próximas gerações.
REGIÃO E ESTADO ALINHAM PROJETO DE BARRAGENS E SEGURANÇA
HÍDRICA
A região e o governo estadual discutem o projeto final de
implantação de duas barragens destinadas ao abastecimento de água, nos
municípios de Pedreira e Amparo. A secretária de Estado de Meio Ambiente,
Infraestrutura e Logística, Natália Resende, apresentou detalhes do
investimento considerado estratégico para garantir segurança hídrica a toda a
região, incluindo Nova Odessa, que não depende do Sistema Cantareira. O projeto
prevê a criação de um sistema adutor regional, que permitirá maior regularização
das vazões e reforço no abastecimento de água em períodos de estiagem.
De acordo com a proposta apresentada pelo Governo do Estado,
o sistema será implantado por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP) e os
municípios participantes pagarão pela operação do sistema. A licitação está
prevista para 2026 e a obra deve ocorrer ao longo de aproximadamente dois anos.
A secretária Natália Resende destacou que o contrato contará
com recursos garantidos pelo Estado, reforçando a importância de uma gestão
integrada dos recursos hídricos. Segundo ela, a iniciativa estimula os
municípios a olharem toda a cadeia da água, desde a produção e o armazenamento
até a distribuição à população.
Segundo o Governo do Estado, o sistema das barragens de
Pedreira e Amparo deverá beneficiar diretamente ou indiretamente 21 municípios
das bacias hidrográficas dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ).
Os municípios
diretamente beneficiados receberão água bruta por meio das adutoras regionais.
Já os municípios indiretamente beneficiados contarão com o aumento da oferta
hídrica nas bacias, reduzindo a pressão ambiental sobre os mananciais e as
captações, especialmente em períodos de estiagem.
BRK DESTACA EFICIÊNCIA DOS SERVIÇOS DE SANEAMENTO EM SUMARÉ
Neste Dia Mundial da Água, a BRK, concessionária responsável
pelos serviços de água e esgoto em Sumaré, celebra a data com destaque para a
eficiência operacional dos serviços de saneamento e alerta para a gestão
sustentável da água, recurso essencial à vida. A água que abastece o município
de Sumaré é captada nas represas Horto I, Horto II, Marcelo e no Rio Atibaia. A
BRK disse se “orgulhar” por atender 100% da área urbana com água tratada.
“Produzimos cerca de 30 milhões de litros de água por dia
para atender a população de Sumaré com um rigoroso controle de qualidade que
conta com mais de 12 mil análises mensais em todas as etapas do tratamento.
Somente na água tratada e distribuída são feitas 3 mil análises na saída da
Estação de Tratamento e 1.500 análises nas redes de distribuição, garantindo o
monitoramento de todas as etapas, desde a captação nos mananciais até a chegada
às torneiras”, destaca Viviane Moraes, gerente de operações da BRK em Sumaré.
A empresa disse que nos últimos anos o consumo de água em Sumaré vem crescendo e em 2025 atingiu um volume recorde comparado aos últimos cinco anos. Esse crescimento reforça a importância de adotar práticas para evitar desperdícios e garantir que esse recurso essencial esteja sempre disponível.
QUALIDADE
Com o objetivo de garantir o direito de acesso à informação
sobre a água consumida em Sumaré, a BRK elabora anualmente um relatório das
análises realizadas durante o ano anterior.
O informativo, disponibilizado neste mês, apresenta dados
que atestam a potabilidade da água que chega aos imóveis e está disponível no
site https://brkambiental.com.br/relatorio para todos os clientes.
A BRK garante a qualidade do recurso, controlando todo o
processo de tratamento, na saída do sistema, nos reservatórios e na rede de
distribuição. Assegurar que a água atenda sempre aos padrões de potabilidade
exigidos por lei é uma responsabilidade contínua da empresa.
“Realizamos mensalmente, tanto em laboratório próprio da
concessionária quanto em laboratório contratado, análises da qualidade da água
de Sumaré considerando parâmetros físico-químicos, dentre estes cor, cloro,
flúor, turbidez, pH, e os microbiológicos da água”, explica Viviane.
A empresa reporta os resultados de análise ao Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (SISAGUA), que é um repositório de informações técnicas aberto à consulta pública.
CODEN REALIZA PROGRAMAÇÃO ESPECIAL POR MAIOR CONSCIENTIZAÇÃO
Em comemoração ao Dia Mundial da Água, a Coden Ambiental
realiza mais uma edição da Semana da Água. Entre os dias 24 e 26 de março, a
concessionária dos serviços de saneamento básico de Nova Odessa promove uma
programação educativa especial para alunos do 5º ano do Ensino Fundamental da
EMEB Vereador Osvaldo Luís da Silva, localizada no bairro Marajoara. O objetivo
é despertar a consciência ambiental nas crianças, abordando a importância do
uso responsável da água de forma lúdica e participativa.
Serão três dias de atividades intensas, envolvendo turmas
nos períodos da manhã e da tarde. A programação inclui jogos, gincanas e
visitas técnicas, proporcionando aos alunos uma experiência imersiva sobre o
ciclo da água e o trabalho realizado pela Coden para levar água tratada e
coletar esgoto na cidade.
Na terça-feira (24), haverá abertura da programação com o Tabuleiro Gigante da Água, um jogo interativo que ensina sobre preservação de forma divertida, seguido de um Quiz com perguntas e respostas sobre o tema. Na quarta-feira (25), haverá uma ação em equipe com a Gincana Educativa e a dinâmica “Salve o Rio”, que visa conscientizar os alunos sobre a poluição hídrica e a importância de manter os rios limpos.
Na quinta-feira (26), os alunos participarão de uma visita monitorada às unidades da Coden, conhecendo de perto o funcionamento da Estação de Tratamento de Água (ETA) e da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). A visita inclui também um passeio ao galpão da Coopersonhos.

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