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Dívidas fiscais serão parceladas e empresa sustenta que proposta é compatível com capacidade de caixa

Ober planeja pagar trabalhadores em até 12 meses e deságio de 90% para demais credores

Proposta prevê quitação da classe trabalhista em um ano depois de homologação de acordos; microempresas terão de enfrentar deságio, com pagamentos feitos em até 10 anos, de acordo com plano da empresa já apresentado para Justiça

A Ober S/A Indústria e Comércio, empresa situada em Nova Odessa, protocolou plano de recuperação judicial com foco na reorganização do passivo e na definição de regras para o pagamento de credores. O documento dá prioridade à quitação integral dos créditos trabalhistas em até um ano, enquanto os demais credores deverão se submeter a prazos mais longos e a um deságio de 90% sobre o valor das dívidas.

O processo de recuperação judicial tramita na Vara Regional de Competência Empresarial e de Conflitos Relacionados à Arbitragem do Estado de São Paulo, em Campinas, após pedido protocolado em novembro de 2025. O processamento foi deferido em 4 de dezembro do ano passado.

Pela proposta apresentada, os credores trabalhistas receberão seus créditos em até 12 parcelas mensais, com início 30 dias após a homologação do plano. A medida estabelece prazo máximo de um ano para quitação dessa classe.

Para credores quirografários e microempresas e empresas de pequeno porte (ME/EPP), o plano prevê deságio de 90% sobre o valor dos créditos, segundo documento da Ober. O pagamento será realizado em 120 parcelas mensais, ao longo de 10 anos, com início 12 meses após a publicação da decisão que homologar o plano.

Esses créditos serão atualizados pela Taxa de Longo Prazo (TLP), acrescidos de juros de 7,97% ao ano. As dívidas tributárias e encargos sociais serão objeto de parcelamentos próprios perante os órgãos competentes. Créditos extraconcursais — aqueles não sujeitos à recuperação judicial — serão negociados individualmente com seus respectivos titulares.

A Ober também prevê que os pagamentos serão feitos exclusivamente por transferência bancária (PIX, TED ou modalidade equivalente), mediante prévia atualização dos dados pelos credores. Valores não pagos por ausência de informação bancária não serão considerados descumprimento do plano.

VIABILIDADE E MANUTENÇÃO

Fundada em 1962 e sediada em Nova Odessa, a empresa atua na fabricação de não tecidos para setores como automotivo, construção civil, calçadista e moveleiro. Após forte expansão entre 2020 e 2022, impulsionada pelo cenário da pandemia, a companhia viu seu endividamento crescer de forma expressiva com a alta da taxa de juros e o agravamento do cenário internacional.

O endividamento da empresa ultrapassou a casa dos R$ 91 milhões, enquanto o custo da dívida saltou de 5,9% da receita em 2020 para 18,5% em 2024, segundo o documento. A proposta apresentada sustenta que as condições de pagamento foram estruturadas com base na atual capacidade financeira da empresa, preservando fluxo de caixa suficiente para manter as operações e cerca de 1.200 empregos diretos.

A empresa afirma que, uma vez homologado e cumprido o plano, os créditos serão considerados integralmente quitados, com novação das dívidas, permitindo a reorganização financeira e o reposicionamento no mercado.

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