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Jéssica Mayara Moraes, de 37 anos, mãe de Lídia Moraes Aguiar, 15, organiza manifestação

Mãe confecciona camisetas e cartazes para solicitar ‘justiça’ em Americana

Famílias transformam luto em mobilização por responsabilização de motorista alcoolizado que causou acidente fatal durante feriado de Carnaval em via do Jardim Ipiranga; Jéssica Mayara Moraes perdeu a filha única, Lídia, de 15 anos

A dor da perda virou combustível para a mobilização. Em Americana, Jéssica Mayara Moraes, de 37 anos, começou a produzir camisetas, faixas e cartazes para pedir “justiça” pela morte da filha, Lídia Moraes Aguiar, de 15 anos, vítima de um grave acidente de trânsito no feriado de Carnaval. Um protesto está marcado para o dia 29 de março. 

O motorista, de 40 anos, estava alcoolizado, bateu contra um poste no Jardim Ipiranga e duas adolescentes, amigas da filha do condutor, morreram. “Perdi meu bem mais precioso, minha única filha”, desabafou a mãe durante esta semana. Lídia e Maria Eduarda de Souza Almeida, também de 15 anos, eram, segundo familiares, “boas filhas e melhores amigas”.

A manifestação é organizada por Jéssica e por Manassés Rodrigues de Almeida, de 51 anos, pai de Maria Eduarda. O objetivo é reunir familiares, amigos e moradores em uma caminhada marcada para o dia 29 de março, um domingo.

Segundo o advogado das famílias, Jean Carlos de Lima, o ato terá início em frente à empresa Bandini, local do acidente, e seguirá até o Fórum de Americana, na Avenida Brasil.

DEFESA PEDE NOVOS DEPOIMENTOS E RECLASSIFICAÇÃO DO CRIME

A defesa informou que irá solicitar novos depoimentos, incluindo o da adolescente sobrevivente — que recebeu alta nesta semana — e de moradores que presenciaram a colisão. Também serão requeridos acesso ao laudo de dosagem alcoólica do motorista, imagens de câmeras de segurança e o laudo definitivo da perícia técnica.

“Esses documentos podem levar de 30 a 60 dias, mas são fundamentais para esclarecer o que aconteceu”, explicou o advogado.

O pai de Maria Eduarda, Manassés Rodrigues de Almeida, reforçou que a família busca o enquadramento do motorista por homicídio doloso, quando há intenção ou aceitação do risco de matar. Atualmente, o condutor responde por homicídio culposo, quando não há intenção.

De acordo com a defesa, o próprio motorista afirmou em depoimento que ingeriu bebida alcoólica antes de dirigir. “Ele colocou sete pessoas no carro, incluindo cinco crianças, assumiu o risco. Há testemunhas que relataram alta velocidade e zigue-zague na via”, destacou o advogado.

RELEMBRE O CASO

O acidente aconteceu por volta de 0h45 do dia 17 de fevereiro, na Rua Igaratá, no Jardim Ipiranga. Um Chevrolet Vectra colidiu violentamente contra um poste em frente à empresa Bandini. O impacto foi tão forte que o veículo teve perda total.

No carro estavam sete pessoas: o motorista, de 40 anos, a companheira dele e cinco adolescentes, incluindo a filha do condutor. A Polícia Militar encontrou cerca de 10 gramas de maconha dentro do carro. Maria Eduarda morreu no mesmo dia. Lídia chegou a ser socorrida em estado gravíssimo, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu no dia seguinte.

Uma terceira adolescente, também de 15 anos, permaneceu internada no Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi. Ela passou por cirurgia, ficou na UTI devido a um politraumatismo e recebeu alta na segunda-feira (23), após melhora progressiva. Agora, continua a recuperação em casa e deve ser ouvida como testemunha-chave.

O motorista foi preso em flagrante e responde por homicídio culposo, lesão corporal culposa e porte de entorpecente para consumo próprio. Apesar de admitir ter ingerido álcool, o exame clínico inicial não constatou embriaguez. 

Uma amostra de sangue foi coletada para análise complementar, cujo resultado ainda é aguardado. Em audiência de custódia, a Justiça concedeu liberdade provisória a ele, mediante medidas cautelares como recolhimento noturno, proibição de frequentar bares e obrigação de comparecimento mensal em juízo.

Enquanto aguardam os desdobramentos da investigação, as famílias seguem transformando o luto em manifestação. Entre camisetas estampadas com fotos das meninas e faixas pedindo justiça, a mobilização busca manter viva a memória das adolescentes e pressionar por celeridade e responsabilização no caso.

ACIDENTE PODE EVOLUIR PARA DOLO

O delegado Odair José Jaeger, responsável pela apuração do acidente em Americana, afirmou que a colisão fatal das jovens poderá ser tratada como dolo eventual, ou seja, quando o motorista assume o risco do acidente.

Novos elementos colhidos pela Polícia Civil apontam que o condutor do veículo estaria em velocidade acima da permitida. Imagens reunidas durante a apuração mostram que o automóvel trafegava em alta velocidade no momento da colisão.

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