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Dívida da Ambipar, instalada em Nova Odessa, supera casa dos R$ 10 bi e empresa tenta reorganizar débitos

Grupo Ambipar apresenta plano com pagamentos imediatos para credores

Detentores de crédito trabalhista que aceitarem condições da multinacional terão direito a um pagamento inicial de até R$ 12 mil, que será efetuado em até 30 dias após homologação do acordo; quem não aderir poderá aguardar até 2040

A multinacional Ambipar, especializada na gestão de resíduos e soluções ambientais com unidade em Nova Odessa, propôs plano de recuperação judicial que visa solucionar sua crise financeira e garantir a continuidade das operações da empresa. 

O plano, que foi aprovado pela 3ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro em 2025, tem como objetivo o pagamento imediato de credores que aderirem às condições do documento, enquanto aqueles que não colaborarem terão que aguardar até 2040 para começar a receber.

Segundo o plano de recuperação, os credores trabalhistas que aceitarem as condições propostas pela companhia terão direito a um pagamento inicial de até R$ 12 mil, que será efetuado em até 30 dias após a homologação judicial. O saldo restante, que pode chegar a até R$ 215,7 mil, será pago em até 11 parcelas mensais, com início 60 dias após a homologação.

Além disso, o plano introduz o conceito de “credor colaborador”, que inclui aqueles que não entrarem com litígios contra a Ambipar, aprovarem o plano de recuperação e continuarem suas relações comerciais com a empresa. Para esses credores, os pagamentos ocorrerão de forma mais ágil, logo após a homologação.

Em relação aos fornecedores que se enquadrarem como colaboradores, o pagamento será realizado em até 24 parcelas mensais, com um limite de R$ 40 mil, sendo corrigido pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Os fornecedores deverão abrir mão de qualquer saldo remanescente para se beneficiar dessa condição.

Para os bancos e instituições financeiras, o plano propõe o pagamento através de debêntures (títulos de dívida emitidos para captar dinheiro no mercado), no valor total de até R$ 1 bilhão.

Por outro lado, os credores que não aderirem ao plano de recuperação judicial, incluindo microempresas (MEs) e empresas de pequeno porte (EPPs), terão um pagamento fixo e limitado de R$ 5,5 mil, que será realizado em até 30 dias após a homologação judicial. Já os credores que não se comprometerem como colaboradores receberão seus créditos apenas a partir de 2040, em seis parcelas anuais, corrigidas a 2% ao ano, conforme as condições estabelecidas.

O passivo total do grupo Ambipar gira em torno de R$ 10,4 bilhões, e a recuperação judicial abrange tanto a sede da empresa em Nova Odessa quanto suas filiais, incluindo a Environmental ESG. A proposta foi estruturada com o auxílio de consultores financeiros e jurídicos e busca preservar as operações da empresa, garantir a manutenção dos postos de trabalho e continuar oferecendo serviços em São Paulo, Rio de Janeiro e em outros estados.

O processo de recuperação judicial está agora em fase de aprovação na assembleia geral de credores e poderá passar por ajustes até que seja totalmente homologado.

REORGANIZAÇÃO DE DÍVIDAS

A multinacional faz uma tentativa de reorganizar dívidas, proteger as operações e preservar mais de 23 mil empregos diretos. De acordo com comunicado oficial da empresa, a decisão foi provocada por dificuldades financeiras decorrentes de contratos de derivativos com o Deutsche Bank. Esses acordos, originalmente firmados para proteção cambial, acabaram resultando em obrigações inesperadas de pagamento e vencimentos antecipados de outras dívidas, o que levou à necessidade de buscar proteção judicial.

O pedido protocolado pela Ambipar tem como objetivos principais suspender execuções judiciais e vencimentos antecipados, assegurar a continuidade de contratos essenciais e evitar bloqueios de bens e restrições operacionais. A empresa também destacou que pretende manter a participação em licitações públicas e privadas, fundamentais para sua competitividade.

“A medida tem caráter preventivo e visa assegurar a continuidade das operações, preservar mais de 23 mil empregos diretos e reestruturar passivos financeiros estimados em aproximadamente R$ 10,5 bilhões. A decisão foi motivada por fatores que afetaram a liquidez da companhia, entre eles contratos de derivativos firmados com o Deutsche Bank, cujos aditivos transformaram operações originalmente voltadas à proteção cambial em instrumentos de natureza especulativa. Essas alterações resultaram em chamadas de margem elevadas e vencimentos antecipados de obrigações com outras instituições financeiras, gerando um efeito cascata sobre o fluxo de caixa”, explicou a empresa.


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