Geral
Nas linhas com origem ou destino em Sumaré, são várias queixas relacionadas a atrasos

Falhas no transporte intermunicipal colocam contrato do Consórcio BUS+ sob risco na RMC

Artesp decidiu abrir processo administrativo contra consórcio responsável pelas linhas que conectam cidades da região, como Sumaré, Hortolândia e Monte Mor; procedimento pode terminar com a perda da concessão em municípios

A operação do transporte intermunicipal na Região Metropolitana de Campinas (RMC) entrou na mira da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp). Depois de uma sequência de fiscalizações realizadas desde março, a agência decidiu abrir um processo administrativo contra o Consórcio BUS+, responsável pelas linhas que conectam cidades da região, como Sumaré, Hortolândia e Monte Mor. O procedimento pode terminar com a perda da concessão caso sejam confirmadas infrações previstas no contrato.

A decisão foi tomada após a identificação de problemas relacionados à execução do serviço. Segundo a Artesp, foram verificadas as condições de toda a frota, o cumprimento das viagens programadas e a lotação dos ônibus. A agência também afirma que o consórcio não apresentou um plano de melhoria diante das irregularidades apontadas, fator que pesou para a instauração do processo.

O caso avança justamente em um momento de forte pressão dos usuários sobre o sistema metropolitano. Passageiros de diferentes cidades vêm relatando ônibus que não aparecem nos horários previstos, longas esperas nos pontos, superlotação, redução da oferta de viagens e problemas nas condições dos veículos.

Em Sumaré, os problemas ficaram evidentes durante uma fiscalização nesta quinta-feira (3). Um coletivo que deveria partir do Terminal Rodoviário às 7h20 apresentou defeito antes mesmo de iniciar a viagem. Os passageiros precisaram deixar o veículo e esperar pelo ônibus seguinte, previsto para as 7h40. A segunda partida também sofreu atraso e o coletivo chegou ao terminal às 7h49, já com passageiros dos dois horários reunidos, o que provocou superlotação.

Os números registrados pela agência mostram que as reclamações cresceram ao longo deste ano. Nas linhas com origem ou destino em Sumaré, foram oito queixas relacionadas a atrasos entre setembro e dezembro de 2025. Em 2026, até julho, foram 50 registros pelo mesmo motivo. Também apareceram reclamações sobre superlotação, conservação dos ônibus, alterações nos horários, falhas na prestação do serviço e veículos que deixaram de parar nos pontos.

A situação é ainda pior na linha 654, responsável pela ligação entre o Terminal Rodoviário de Sumaré e o Shopping Iguatemi, em Campinas. Entre março e agosto, foram contabilizados 840 registros de problemas relacionados à operação. Do total, 94% apontavam atraso ou ausência de ônibus nos horários programados.

A insatisfação dos passageiros também chegou à Câmara Municipal de Sumaré. No fim de agosto, os vereadores aprovaram uma moção de repúdio à Artesp, apresentada por Wellington Souza (PT), com 18 votos favoráveis. O documento cobra uma resposta mais efetiva diante da precariedade do serviço e cita atrasos, ônibus lotados, redução de viagens, problemas de acessibilidade e más condições dos veículos.

Em Monte Mor, a pressão também aumentou. O vereador Roger Santos (PT) defendeu que o município realize uma audiência pública para tratar do transporte intermunicipal e pediu que a situação seja levada ao Ministério Público. Durante pronunciamento na Câmara, ele afirmou que há moradores que chegam a permanecer duas horas aguardando um coletivo para seguir até Campinas.

OUTRO LADO

O Consórcio Bus + informou que no momento não vai se posicionar sobre o caso.


Deixe um comentário