Ex-funcionários de empresa das UPAs vão à Justiça por falta de pagamentos
Trabalhadores que atuavam nos serviços de limpeza e portaria das UPAs Macarenko e Matão, em Sumaré, afirmaram que não receberam verbas rescisórias depois do encerramento de contratos com empresa; sindicato tentou negociação
O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Asseio e Conservação (Siemaco) informou que apoia judicialmente ex-funcionários das UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) do Macarenko e Matão, em Sumaré, por atraso no pagamento de verbas rescisórias por parte da empresa RSM Clean.
De acordo com a entidade, foram realizadas reuniões com representantes da empresa na tentativa de construir uma solução para os trabalhadores. Segundo o sindicato, o principal pedido era a liberação imediata dos documentos necessários para acesso ao seguro-desemprego e ao FGTS, independentemente da discussão sobre os demais valores rescisórios.
“O trabalhador quer, ao menos, ter acesso ao seguro-desemprego. Tentamos negociar a entrega dos termos de rescisão, a liberação do FGTS e do benefício, mas não tivemos respaldo”, afirmou Gleise Goes, representante do sindicato.
Ainda segundo a entidade, a empresa apresentou apenas uma proposta durante as tratativas, mas sem efetivar as medidas solicitadas pelos trabalhadores. Em meio à falta de avanço nas negociações, o sindicato passou a orientar os ex-funcionários sobre os caminhos judiciais disponíveis.
A entidade informou que mais de 20 trabalhadores das duas unidades de pronto atendimento foram afetados pela situação. Parte deles ingressará com ações por meio de advogados particulares, enquanto outros receberão assistência jurídica do próprio sindicato.
Segundo o Siemaco, a prioridade inicial era garantir que os trabalhadores tivessem acesso ao seguro-desemprego para minimizar os impactos financeiros causados pela demissão e pelo atraso das verbas rescisórias.
Os relatos indicam que ex-funcionários enfrentam dificuldades financeiras enquanto aguardam uma solução para o caso. Alguns trabalhadores afirmam que permanecem sem receber valores previstos na rescisão meses após o desligamento.
Os ex-funcionários atuavam nos serviços de limpeza e portaria das UPAs. Segundo relatos, trabalhadores cumpriram aviso prévio, mas até agora não receberam os valores devidos. A ex-funcionária Claudenora Batista Bezerra afirma que pelo menos 16 trabalhadores da unidade Macarenko foram desligados e que apenas duas funcionárias teriam recebido parte dos valores porque possuíam férias acumuladas.
“Cumprimos tudo certinho, aviso, trabalho, tudo. E até agora ninguém recebeu nada. A empresa só enrola”, afirmou. “Tenho duas crianças especiais e estou precisando muito”, completou. Ela disse que o único valor liberado até agora para ela foi o seguro-desemprego. Ainda segundo os trabalhadores, o prazo inicial para pagamento teria sido até 23 de abril, mas a data não foi cumprida.
Os ex-funcionários alegam que houve uma proposta de acordo prevendo envio da documentação ao sindicato da categoria até o dia 20 de maio e início dos pagamentos em junho, mas afirmam que os compromissos não foram cumpridos.
Parte dos trabalhadores acabou sendo recontratada por outra empresa que assumiu os serviços nas unidades, mas os funcionários que não permaneceram cobram o pagamento célere das verbas rescisórias.
RSM MANTÉM PROPOSTA AO SIEMACO E PREVÊ PAGAMENTO PARCELADO DE VERBAS RESCISÓRIAS
A RSM informou que mantém a proposta apresentada ao Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Asseio e Conservação (Siemaco), reafirmando seu compromisso com a busca de uma solução responsável e viável para quitação das verbas rescisórias dos ex-colaboradores vinculados às UPAs Macarenko e Matão, em Sumaré.
A empresa disse que, assim como diversas organizações em âmbito nacional, enfrenta atualmente dificuldades financeiras decorrentes do cenário econômico e operacional vivenciado no setor. Contudo, ressalta que tal situação não afasta sua responsabilidade e compromisso com o pagamento integral das verbas rescisórias devidas aos trabalhadores.
“Nesse sentido, a proposta apresentada visa justamente garantir a continuidade dos pagamentos de forma organizada e factível, preservando a segurança jurídica e financeira necessária para cumprimento das obrigações assumidas. A RSM também informa que permanecerão fora do acordo administrativo apenas os casos que já se encontram judicializados, em respeito ao devido trâmite processual e às deliberações submetidas ao Poder Judiciário. Por fim, a empresa reforça que segue aberta ao diálogo institucional com o sindicato e demais órgãos envolvidos, buscando conduzir a situação com transparência, responsabilidade e respeito aos trabalhadores”, disse a empresa, em nota.
A empresa disse ainda que a proposta foi iniciar os pagamentos em 15 de junho. “Devido a situação financeira da RSM, foi necessário parcelar, pois não será possível efetuar o pagamento de uma só vez”, informou.
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