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Justiça apontou estrutura voltada à produção de documentos fraudulentos em larga escala na cidade

Esquema de documentos falsos rende 7 anos de prisão a morador de Sumaré

Acusado tinha estrutura organizada e confeccionava a documentação de instituições públicas e privadas, como atestados médicos, históricos escolares, receituários, prontuários e carimbos; Justiça manteve a prisão do homem, citando “necessidade de preservação da ordem pública”

A Justiça de Sumaré condenou um homem a sete anos de prisão em regime fechado após reconhecer a existência de um esquema de produção e comercialização de documentos falsificados que envolvia atestados médicos, históricos escolares, declarações estudantis, receituários e carteiras de vacinação. A sentença é da 1ª Vara Criminal do município e aponta que o acusado mantinha uma estrutura organizada para confeccionar documentos fraudulentos de instituições públicas e privadas da região.

A investigação teve origem após uma empresa suspeitar da autenticidade de um atestado médico apresentado por uma funcionária. Ao verificar as informações junto ao hospital indicado no documento, a empresa foi informada de que o atendimento nunca havia ocorrido e que o atestado não havia sido emitido pela instituição. A trabalhadora posteriormente informou à polícia que havia adquirido o documento por meio de um contato via WhatsApp mediante pagamento de R$ 20 por Pix.

A partir da identificação da conta que recebeu a transferência bancária, os investigadores chegaram ao suspeito e solicitaram mandado de busca e apreensão. Durante a operação, realizada em um estabelecimento ligado ao acusado e posteriormente em seu quarto, foram encontrados dezenas de documentos falsificados, além de materiais utilizados para a produção das fraudes.

De acordo com a sentença, foram apreendidos 42 históricos escolares e currículos falsificados atribuídos a escolas estaduais da região, incluindo unidades de Sumaré. Também foram localizadas duas declarações escolares falsas, uma carteira de vacinação adulterada e diversos documentos médicos atribuídos a hospitais, maternidades e entidades privadas.

HORTOLÂNDIA, PAULÍNIA E NOVA ODESSA

Os laudos periciais apontaram ainda a existência de 31 documentos falsificados relacionados a hospitais e órgãos públicos de saúde, entre eles unidades de Campinas, Paulínia, Hortolândia, Nova Odessa e Sumaré. A perícia constatou incompatibilidades gráficas, uso indevido de nomes de profissionais da saúde e reprodução irregular de elementos oficiais das instituições citadas.

Outro ponto destacado pelo magistrado foi a apreensão de mais de 50 carimbos médicos, além de formulários padronizados, receituários em branco, prontuários e arquivos digitais utilizados para a elaboração dos documentos. Para a Justiça, o volume de materiais demonstra que não se tratava de uma falsificação isolada, mas de uma estrutura organizada voltada à produção contínua de documentos fraudulentos.

Durante o processo, a defesa alegou que os documentos eram antigos e que algumas falsificações apresentavam erros que impediriam sua utilização prática. No entanto, a 1ª Vara entendeu que os documentos possuíam potencial para enganar terceiros, destacando que um dos atestados chegou a ser utilizado perante uma empresa antes da fraude ser descoberta.

Na decisão, a Justiça condenou o réu por falsificação de documentos públicos em 73 ocasiões e falsificação de documentos particulares em sete ocasiões. As penas foram somadas, resultando em sete anos de reclusão e 47 dias-multa.

Ao fixar a pena, a Justiça considerou a reincidência do réu, a quantidade de documentos apreendidos, a diversidade de instituições atingidas e a sofisticação do esquema. Foi negado ao condenado o direito de recorrer em liberdade. A Justiça manteve a prisão do homem, citando “necessidade de preservação da ordem pública”.

 


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