Em meio a mau cheiro, Sabesp confirma ETE fechada para Hortolândia até 2027
Empresa apresenta cronograma para solução definitiva do problema com nova ETE enclausurada e compatível com a urbanização da cidade; investimento estimado é de R$ 300 milhões; Estado afirma que cobra cumprimento de contrato
Em meio às recorrentes queixas de mau cheiro na Estação de
Tratamento de Esgoto (ETE) Jatobá, em Hortolândia, a Sabesp confirmou que a
solução definitiva será a construção de uma nova ETE enclausurada, totalmente
fechada, com investimento estimado em R$ 300 milhões e previsão de entrega até
o final de 2027.
A promessa foi apresentada durante reunião realizada na
última sexta-feira (23), em Hortolândia, que contou com a participação de
moradores, representantes da concessionária e da URAE 1 Sudeste, unidade
responsável por fiscalizar o cumprimento do contrato de concessão da Sabesp. O
encontro teve como objetivo prestar contas à população e detalhar os próximos
passos para mitigar os impactos causados pelos odores provenientes da ETE.
A URAE 1 informou que acompanha continuamente todas as
etapas do processo e tem cobrado agilidade na adoção de medidas eficazes. Entre
as ações executadas pela Sabesp estão a limpeza e revitalização das lagoas, a
instalação de novos sistemas de aeração e a realização de manutenções
complementares com equipes operando 24 horas por dia. Somente nessas
intervenções emergenciais, o investimento já ultrapassa R$ 28 milhões, segundo
a Sabesp.
O problema do mau cheiro na ETE de Hortolândia é antigo e já
resultou em diversas fiscalizações e autuações por parte da Companhia Ambiental
do Estado (Cetesb), que atua em conjunto com a URAE no monitoramento das
medidas corretivas. Segundo os órgãos, apesar das melhorias recentes, a
estrutura atual é incompatível com o grau de adensamento urbano do entorno. A
Sabesp já foi multada pela Cetesb em R$ 3 milhões devido aos problemas
recorrentes na ETE Jatobá.
Segundo o governo estadual, com a desestatização da Sabesp,
foi garantida a viabilidade financeira para a construção de uma nova ETE
enclausurada, considerada tecnicamente adequada para eliminar os odores e
reduzir impactos ambientais. O projeto prevê uma estação totalmente fechada,
tecnologia mais moderna e maior controle dos processos de tratamento de esgoto.
A expectativa é que o novo equipamento entre em operação no segundo semestre de 2027, resolvendo um problema que afeta mais de 14 bairros ao entorno. Até lá, a URAE 1 afirma que seguirá fiscalizando as ações da concessionária e exigindo o cumprimento dos prazos e compromissos assumidos.
PROTESTO DE ANO NOVO
Moradores de Hortolândia voltaram a se mobilizar contra o
mau cheiro persistente da ETE em plena sexta-feira, 2 de janeiro. Segundo os
moradores dos bairros Jardim Jatobá, Residencial Franceschini e região, o odor
intenso continuou afetando a saúde, o bem-estar das famílias e o comércio
local, apesar das promessas feitas pela concessionária no segundo semestre de
2025. Em agosto, a Sabesp anunciou obras emergenciais de limpeza e retirada do
lodo das lagoas de decantação, apontadas como a principal causa do problema.
Na ocasião, a Sabesp informou que mais de 70% das obras estavam concluídas, com prazo até 30 de setembro para finalizar a primeira etapa.
TARIFA DE ÁGUA
Enquanto a população cobra soluções ambientais, a Sabesp
passou a aplicar, desde 1º de janeiro de 2026, a nova tarifa de água e esgoto
em cidades atendidas pela companhia, incluindo Paulínia, Monte Mor e
Hortolândia. O reajuste considera a inflação do período, sem aumento real para
o consumidor.
A Sabesp afirma que a tarifa atual é cerca de 15% menor do
que seria praticada caso a empresa tivesse permanecido estatal.
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