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Para o MPT, crescimento expõe persistência da exploração de crianças em atividades proibidas

Denúncias de trabalho infantil crescem 103% na região em 2026, aponta MPT

Levantamento realizado pelo Ministério Público do Trabalho revela aumento nas ocorrências de trabalho precoce de menores nos municípios da região de Campinas; entre janeiro e maio deste ano, quantidade saltou de 70 para 142 casos

A região de Campinas registrou crescimento nas denúncias de trabalho infantil em 2026. Dados divulgados pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) apontam que os registros saltaram de 70 para 142 entre janeiro e maio deste ano, um aumento de 103% em comparação com o mesmo período de 2025. Os números abrangem os municípios atendidos pela unidade regional do órgão.

O levantamento foi divulgado em alusão ao Dia Mundial e Nacional de Combate ao Trabalho Infantil, nesta sexta-feira (12). A medida chama a atenção para uma das mais graves violações dos direitos de crianças e adolescentes.

O avanço observado na região acompanha uma tendência registrada em toda a área de atuação do MPT, que engloba 599 municípios do interior paulista e do litoral norte. No acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, foram registradas 448 denúncias de trabalho infantil nas regiões citadas, contra 221 no mesmo período do ano passado, uma alta de 102%.

Para a coordenadora regional da Coordenadoria Nacional de Combate à Exploração do Trabalho da Criança e do Adolescente (Coordinfância), procuradora Ana Raquel Machado Bueno de Moraes, o cenário exige mobilização da sociedade.

“Reafirmamos que a erradicação dessa prática não é um compromisso acessório, mas um imperativo constitucional inegociável; enquanto houver uma única criança privada de sua infância, estaremos falhando como sociedade e como Estado”, afirmou.

Segundo a procuradora, o aumento das denúncias também mostra uma visão cultural ainda presente em parte da sociedade, que normaliza o trabalho precoce.

“O aumento expressivo no número de denúncias de trabalho infantil que observamos no interior de São Paulo é o reflexo direto de uma cultura permissiva que, de forma equivocada e perversa, ainda insiste em naturalizar a exploração de pessoas com idade inferior a 18 anos sob o pretexto de que o trabalho seria um caminho para a formação do caráter”, destacou.

O MPT alerta que crianças e adolescentes ainda são encontrados em atividades consideradas inadequadas ou proibidas, principalmente em setores como agricultura familiar, comércio informal e serviços urbanos sem proteção legal.

DESCUMPRIMENTO DA LEI

Outro dado que preocupa o órgão está relacionado ao descumprimento da legislação de aprendizagem profissional. Entre janeiro e maio deste ano, o MPT recebeu 125 denúncias contra empresas por suposto descumprimento das cotas obrigatórias de contratação de aprendizes, crescimento de 9,6% em relação às 114 denúncias registradas no mesmo período de 2025.

De acordo com Ana Raquel, a aprendizagem profissional é uma das principais ferramentas para combater o trabalho infantil, pois permite que adolescentes ingressem no mercado de trabalho de forma protegida, conciliando qualificação profissional e permanência na escola.

RECORTE NACIONAL

No cenário nacional, os números também seguem elevados. Dados mais recentes do IBGE mostram que o Brasil possuía 1,65 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos em situação de trabalho infantil em 2024. Desse total, cerca de 560 mil estavam submetidos às piores formas de exploração, incluindo atividades perigosas, degradantes e insalubres.

O Ministério Público do Trabalho orienta que casos de trabalho infantil podem ser denunciados diretamente ao órgão, por meio do Disque 100 ou pelo Sistema Ipê, plataforma do Ministério do Trabalho e Emprego voltada ao recebimento de denúncias relacionadas ao tema.

 


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