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Cetesb realizou fiscalização na ETE de Paulínia e autuou Sabesp pelo mau cheiro na região do Monte Alegre

Com mau cheiro pendente na ETE de Hortolândia, estação de Paulínia também incomoda com forte odor

Moradores relatam odor desagradável vindo da ETE da Vila Monte Alegre e problema já afeta rotina de famílias; Cetesb confirmou autuação aplicada à Sabesp; situação se complica enquanto Hortolândia ainda encara desafio semelhante

Moradores de Paulínia têm enfrentado dias de incômodo constante provocado pelo mau cheiro que se espalha a partir da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da Vila Monte Alegre, de responsabilidade da Sabesp. O odor intenso tem sido percebido em diferentes pontos da cidade. Segundo populares, o cheiro é forte, persistente e chega a invadir residências. “É um odor que toma conta da casa. Dá até dor de cabeça e náusea”, relatou a vendedora Cristiane de Assis, da região do bairro Morumbi. Moradores do bairro São Bento também afirmaram que o problema se repete com frequência e que “tem dias em que não dá para ficar no quintal ou abrir as janelas”.

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) informou que já realizou fiscalização no local e aplicou multa à Sabesp, além de exigir medidas corretivas para conter a emissão dos odores. “A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) informa que autuou, em setembro de 2025, a Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) Monte Alegre, em Paulínia, por emissão de odores fora dos limites da unidade, e determinou medidas corretivas. A unidade foi novamente fiscalizada em dezembro, e a Cetesb acompanha o cumprimento das exigências estabelecidas. A Companhia mantém ações de fiscalização na região e adotará as medidas administrativas cabíveis em caso de descumprimento”, afirma nota da Cetesb enviada ao Tribuna Liberal.

O cenário chama atenção por ocorrer paralelamente à situação enfrentada em Hortolândia, onde o mau cheiro da Estação de Tratamento de Esgoto também gera reclamações há tempos. No início deste ano, moradores realizaram um protesto em frente à ETE Jatobá, cobrando providências imediatas da Sabesp.

A Prefeitura de Hortolândia mantém fiscalização contínua na estação, com vistorias mensais intensificadas desde o segundo semestre de 2025. Na segunda-feira (12), equipes da administração municipal estiveram novamente no local, acompanhadas por representantes da Sabesp e da Unidade Regional de Serviços de Abastecimento de Água Potável e Esgotamento Sanitário (URAE).

Durante a visita, ficou definida a realização de uma nova reunião pública, marcada para a sexta-feira (23), quando a Sabesp deverá prestar contas à população sobre as ações adotadas e os projetos previstos, incluindo a construção de uma nova ETE. O encontro acontecerá no Salão Paroquial Dom Bruno Gamberini, na Vila Real.

Ainda segundo a prefeitura, outras frentes de atuação estão em andamento. Em agosto de 2025, o município se reuniu com a secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, para exigir providências. Na ocasião, um relatório da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) apontou falhas operacionais graves na ETE de Hortolândia, associadas à emissão recorrente de odores.

MULTAS

Em Hortolândia, segundo informações já reveladas pelo Tribuna Liberal, com base em dados da Cetesb, o órgão ambiental já multou a Sabesp em mais de R$ 3 milhões pelos problemas apontados na ETE.

SABESP DIZ QUE ADOTA MEDIDAS PARA REDUZIR ‘PERCEPÇÃO DE ODORES’

Procurada, a Sabesp informou que realiza acompanhamento contínuo da operação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), em Paulínia, e vem adotando medidas estruturais e operacionais para “reduzir a percepção de odores na região”. “A Companhia mantém diálogo permanente com os órgãos ambientais, atende às solicitações da Cetesb e presta todos os esclarecimentos técnicos necessários, em conformidade com a legislação vigente”.

Como principal ação, a Sabesp disse que investiu R$ 54 milhões na construção de uma nova Estação de Tratamento de Esgotos, anexa à atual, concluída em dezembro de 2025 e atualmente está em fase de pré-operação. “A nova unidade possui tecnologia mais eficiente e estruturas fechadas, priorizando o enclausuramento das áreas com maior potencial de geração de odores, em substituição ao sistema anterior baseado em lagoas abertas. O enclausuramento dessas áreas já está implantado na nova estação. A pré-operação teve início no mês passado de forma gradual, permitindo testes dos equipamentos e o monitoramento da eficiência do sistema. Não há pendências estruturais relacionadas a esse processo”, afirma a empresa.

Durante a transição para a nova ETE, a Sabesp disse manter ações de mitigação no sistema existente, como monitoramento da qualidade do ar por empresa independente, dosagem automatizada de produtos neutralizantes, tratamento preliminar enclausurado com captação e lavagem de gases, manutenções contínuas no sistema de aeração e limpeza das lagoas com remoção de lodo.

“A Companhia ressalta que, em condições climáticas extremas, especialmente em períodos de altas temperaturas, podem ocorrer episódios pontuais de percepção de odor, e reforça seu compromisso com a melhoria contínua do sistema, a transparência nas informações e o atendimento às demandas da comunidade local e dos órgãos reguladores”.

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