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Análises recentes não apontaram irregularidades na qualidade da água no ponto de captação

Cetesb aumenta monitoramento no Rio Jaguari com sonda em Paulínia

Órgão ambiental vai instalar equipamento para análises contínuas da água e fará medições a cada cinco minutos no manancial durante a onda de reclamações de mau cheiro no recurso hídrico em Paulínia, Hortolândia e Monte Mor 

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) vai instalar uma sonda automática multiparâmetro na captação de água bruta de Paulínia, no Rio Jaguari. O equipamento permitirá o monitoramento contínuo da qualidade da água, com medições a cada cinco minutos de parâmetros como pH, oxigênio dissolvido, condutividade, turbidez e temperatura, ampliando a capacidade de detecção rápida de eventuais alterações no manancial. 

As análises mais recentes da água bruta no trecho monitorado não identificaram parâmetros fora dos padrões de referência. Paulínia, Hortolândia e Monte Mor registram crise na água distribuída pela Sabesp, com reclamações em série de mau cheiro no recurso que sai das torneiras das casas. 

Desde o dia 24 de abril, quando recebeu a primeira ocorrência relacionada a alterações na água tratada, a Cetesb intensificou a atuação no manancial, com a realização de mais de 20 inspeções, incluindo no afluente Rio Camanducaia, e 8 coletas de amostras em pontos estratégicos, como as captações de Paulínia e Limeira. 

Os resultados laboratoriais indicam que os principais parâmetros de qualidade permaneceram dentro dos limites de referência, segundo a Cetesb informou nesta segunda-feira (4). O carbono orgânico total variou entre 2,9 e 3,2 mg/L (valor de referência de 6 mg/L), o oxigênio dissolvido entre 6,7 e 7,1 mg/L (padrão mínimo de 5 mg/L), a turbidez entre 11 e 16 UNT (padrão de 100 UNT) e o pH entre 6,9 e 7,2 (faixa de referência entre 6 e 9), sem evidência de presença de poluentes. 

Também não foram detectadas substâncias orgânicas associadas a gosto e odor na água. A varredura de compostos orgânicos semi-voláteis — grupo que inclui substâncias como geosmina e metilisoborneol, frequentemente associadas a odor e gosto de mofo — apresentou resultados abaixo dos limites de quantificação, de acordo com o órgão. 

“A presença de microrganismos foi considerada baixa, com variação entre 5 e 128 organismos por mililitro. Portanto, os resultados obtidos para as amostras coletadas pós-episódio não justificaram que as microalgas possam ter causado as alterações sensoriais relatadas. A companhia segue acompanhando a situação de forma contínua, em articulação com os demais órgãos e concessionárias responsáveis pelo abastecimento”, informou. 

ROMPIMENTO DE CONTRATO 

Na semana passada, o prefeito de Hortolândia, Zezé Gomes (Republicanos), recebeu a imprensa no Salão Nobre da Prefeitura, para falar sobre as ações adotadas em relação à qualidade da água fornecida pela Sabesp para Hortolândia. 

Após a terceira semana consecutiva de água saindo das torneiras com odor e sabor, a prefeitura exige da Sabesp uma solução imediata ao problema, explicações sobre o que tem causado a situação e ressarcimento dos consumidores por meio da isenção da tarifa do consumo de abril. 

A Sabesp, no entanto, informou que irá verificar caso a caso sobre a isenção de tarifa, resposta que foi repudiada pelo município, uma vez que toda a cidade foi afetada pela má qualidade da água fornecida. O prefeito ameaça, inclusive, romper o contrato com a companhia de saneamento caso a situação não seja resolvida rapidamente. O prefeito informou que, além da criação de um Comitê Municipal de Crise, o Procon de Hortolândia aplicou uma notificação administrativa à Sabesp, para apurar a prestação do serviço.  

Além da notificação administrativa aplicada pelo Procon, da criação do Comitê Municipal de Crise e da solicitação para a Sabesp isentar a população da tarifa de consumo de abril, a prefeitura também convocou o presidente da Sabesp, Carlos Augusto Leone Buani para prestar explicações e solicitou uma audiência com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). 


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