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Ex-funcionárias participaram de mobilização para pedir informações sobre andamento dos processos

Após nove anos, ex-funcionárias de UPA ainda esperam pagamento em Sumaré

Trabalhadoras relataram dívidas, problemas de saúde e dificuldades financeiras desde as demissões ocorridas em 2017, depois de mudança na gestão da unidade de saúde com intervenção realizada pela prefeitura durante governo passado

Cerca de nove anos após o encerramento de seus contratos de trabalho na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Macarenko, em Sumaré, ex-funcionárias ainda aguardam o pagamento de verbas trabalhistas que, segundo elas, nunca foram quitadas.

Entre os relatos está o de Rosana Pinto dos Santos, de 52 anos, que afirma conviver até hoje com as consequências financeiras e emocionais da demissão ocorrida quando estava grávida do quinto filho. 

Rosana conta que foi dispensada juntamente com outros trabalhadores após mudanças na administração da unidade de saúde. Na época, ela havia descoberto a gravidez havia apenas 15 dias e se viu sem emprego e sem perspectivas para sustentar a família.

“Eu era mãe solo de cinco filhos. Tinha acabado de descobrir que estava grávida e a empresa simplesmente foi embora. Ficamos todos desempregados. Até hoje estou pagando dívidas daquela época e esperando receber o que é meu por direito”, relata.

Segundo ela, os impactos ultrapassaram as dificuldades financeiras. A ex-funcionária afirma que enfrentou depressão durante a gestação e após o nascimento do filho, que hoje está prestes a completar nove anos.

“Minha vida ficou destruída. Eu tive depressão gestacional, depois depressão pós-parto. Sofri muito com tudo o que aconteceu. Cheguei a pensar em tirar minha própria vida porque estava desempregada, grávida e com cinco filhos para sustentar sozinha”, desabafa.

Outra trabalhadora que espera receber é Elane Pereira Rodrigues, de 47 anos. Ela afirma que trabalhou na limpeza da UPA Macarenko entre 2014 e 2017, período em que a unidade era administrada pela organização social Pró-Saúde.

De acordo com Elane, os salários eram pagos normalmente até a Prefeitura de Sumaré realizar uma intervenção na unidade após questionamentos relacionados ao cumprimento das obrigações contratuais da organização responsável. “Enquanto a prefeitura assumiu a responsabilidade, nós continuamos trabalhando normalmente”, afirma.

Posteriormente, segundo ela, a entidade Resgate à Vida assumiu a gestão da unidade. Nesse momento, os funcionários da limpeza teriam sido dispensados para que uma equipe terceirizada assumisse os serviços. “Eles disseram que ficariam apenas com os funcionários deles. Trouxeram até um ônibus de pessoas de São Paulo para assumir os trabalhos”, conta.

Sem receber os valores que reivindicam, os trabalhadores buscaram auxílio do sindicato e ingressaram com ações judiciais. Entretanto, passados quase nove anos, ainda não há uma solução definitiva. “Nós fomos embora em 2017 e até hoje não recebemos. Agora dizem que está em precatório e que precisamos aguardar a nossa vez”, relata Elane.

Recentemente, ex-funcionárias participaram de uma mobilização em frente à Prefeitura de Sumaré para pedir informações sobre o andamento dos processos e uma previsão para o pagamento.

Rosana afirma que continua trabalhando em outra empresa, mas ainda tenta reorganizar a vida financeira afetada pela demissão. “Estou acertando minhas contas aos poucos, mas ainda tenho dívidas daquela época. Meu filho vai fazer nove anos e eu continuo na esperança de receber esse dinheiro para conseguir encerrar esse capítulo da minha vida”, disse. “O que a gente quer é uma solução. Já esperamos anos demais”, conclui Elane.

DESAMPARO

Moradora de Nova Veneza e ex-funcionária, Aguida Basílio, afirma que se sente desamparada após cerca de nove anos de espera pelo pagamento dos direitos trabalhistas. Aos 64 anos, ela relata enfrentar problemas de saúde, incluindo lúpus e uma cirurgia vascular recente, sem conseguir a aposentadoria. 

Segundo ela, a maior revolta é saber que parte dos trabalhadores já recebeu os valores, enquanto outros seguem sem respostas. A trabalhadora também lembra que atuou em áreas de risco dentro da unidade de saúde, exposta a doenças e situações que, muitas vezes, só eram conhecidas após o início das atividades. “A gente trabalhou, cumpriu nosso papel e até hoje não sabe quando vai receber”, desabafa.

PREFEITURA DIZ ACOMPANHAR CASO DE EX-FUNCIONÁRIAS DA UPA MACARENKO 

A Prefeitura de Sumaré informou que representantes da administração municipal se reuniram recentemente com um grupo de ex-funcionários que atuaram na UPA Macarenko para ouvir suas demandas e prestar esclarecimentos sobre a situação. Durante o encontro, foi explicado que a questão envolve contratos e obrigações trabalhistas vinculados a gestões anteriores e que os fatos relatados remontam a aproximadamente nove anos.

“A atual administração reconhece a importância do tema e mantém diálogo aberto com os trabalhadores, colocando-se à disposição para prestar informações e colaborar dentro dos limites legais e administrativos do município. A prefeitura ressalta que acompanha o caso com atenção e transparência, buscando oferecer todo o suporte institucional possível aos envolvidos. Também reforça que permanece aberta ao diálogo com os ex-funcionários e seus representantes, com o objetivo de contribuir para o encaminhamento adequado da situação”, disse.

Por fim, a administração municipal disse que tem atuado para fortalecer a gestão pública e evitar que situações semelhantes ocorram no futuro, “sempre pautada pela responsabilidade, transparência e respeito aos trabalhadores”.   

 


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