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Defesa aguarda laudos periciais e exame de alcoolemia para analisar novos pedidos

Advogado vai pedir depoimento de sobrevivente e anuncia protesto por acidente fatal em via de Americana

Representante das famílias das adolescentes mortas quer avanço nas investigações, questiona enquadramento do motorista e confirma caminhada, que sairá do local do acidente até Fórum da cidade no próximo dia 29 de março

A defesa das famílias das adolescentes mortas em um grave acidente de trânsito no feriado de Carnaval, em Americana, afirmou ao Tribuna Liberal que irá solicitar novos depoimentos, como da jovem sobrevivente e de moradores que viram a colisão, e organiza uma manifestação pública para cobrar justiça e celeridade nas investigações. A tragédia ocorreu no último dia 17, no Jardim Ipiranga, e resultou na morte de Maria Eduarda de Souza Almeida e Lídia Moraes Aguiar, ambas de 15 anos.

Maria Eduarda de Souza Almeida morreu na hora

O advogado Jean Carlos de Lima, que representa os familiares, informou que a caminhada está prevista para o dia 29 de março, um domingo. A mobilização terá início em frente à empresa Bandini, local do acidente, e seguirá até o Fórum de Americana, na Avenida Brasil. “Vamos sair do ponto onde tudo aconteceu e encerrar em frente ao Fórum, pedindo justiça e responsabilidade. Em breve divulgaremos mais detalhes”, afirmou o advogado.

Lídia Moraes Aguiar faleceu um dia depois da colisão

NOVOS PEDIDOS À JUSTIÇA

Segundo Jean Carlos, a defesa pretende formalizar novos requerimentos à Polícia Civil e ao Judiciário. Entre eles, estão o acesso ao laudo de dosagem alcoólica do motorista, imagens de câmeras de segurança, o depoimento da adolescente sobrevivente — que recebeu alta nesta semana — e de testemunhas que presenciaram a colisão.

“Também aguardamos o laudo definitivo da perícia do local. Esses documentos podem levar de 30 a 60 dias para ficarem prontos, mas são fundamentais para esclarecer o que aconteceu”, explicou.

A defesa requer que o condutor responda por homicídio doloso, quando há intenção ou aceitação do risco de matar. De acordo com o advogado, o próprio motorista afirmou em depoimento que ingeriu álcool antes de dirigir. “Ele colocou sete pessoas no carro, incluindo cinco crianças, assumiu o risco. Além disso, há testemunhas que relataram alta velocidade e zigue-zague na via”, destacou.

PAIS EM MOBILIZAÇÃO

A manifestação está sendo organizada por Manassés Rodrigues de Almeida, pai de Maria Eduarda, de 51 anos, e por Jéssica Mayara Moraes, mãe de Lídia, de 37.

A última vítima que permanecia internada, uma adolescente de 15 anos, recebeu alta hospitalar nesta segunda-feira (23), após quase uma semana de internação. Ela estava no Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi, onde passou por cirurgia e ficou na UTI devido a um politraumatismo.

Após apresentar melhora progressiva, foi transferida para a enfermaria e liberada para continuar a recuperação em casa. Segundo a defesa, a jovem poderá ser ouvida nos próximos dias como testemunha-chave do caso.

RELEMBRE O ACIDENTE

O acidente aconteceu por volta de 0h45, na Rua Igaratá, no Jardim Ipiranga. Um Chevrolet Vectra colidiu violentamente contra um poste em frente à empresa Bandini. O impacto destruiu o veículo, que teve perda total.

No carro estavam sete pessoas: o motorista, sua companheira e cinco adolescentes. Durante a perícia, a Polícia Militar encontrou cerca de 10 gramas de maconha no interior do automóvel. Maria Eduarda morreu no mesmo dia. Lídia chegou a ser internada em estado gravíssimo, mas não resistiu e faleceu no dia seguinte.

SITUAÇÃO DO MOTORISTA

O condutor, de 40 anos, foi preso em flagrante e responde atualmente por homicídio culposo, lesão corporal culposa e porte de entorpecente para consumo próprio. Ele admitiu ter ingerido bebida alcoólica, embora o exame clínico inicial não tenha apontado embriaguez.

Uma amostra de sangue foi coletada para análise complementar, cujo resultado ainda é aguardado. Em audiência de custódia, a Justiça concedeu liberdade provisória, impondo medidas cautelares ao motorista, como recolhimento noturno, proibição de frequentar bares e obrigação de comparecer mensalmente em juízo.

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