Economia
Valmir Caldana (vice-diretor) e Anselmo Riso (diretor do Departamento de Comércio Exterior), do Ciesp

Juros altos freiam investimentos das indústrias na região, aponta Ciesp

Pesquisa regional revelou que metade das indústrias deixou de aumentar o parque fabril por causa do alto custo dos juros e do crédito, enquanto exportações seguem em crescimento em 2026, tendo Paulínia e Sumaré como destaques

Os juros elevados e o alto custo do crédito são os principais obstáculos para novos investimentos da indústria na região. Pesquisa divulgada pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp-Campinas) mostra que 50% das empresas deixaram de ampliar o parque de máquinas por falta de recursos financeiros, reflexo das condições de financiamento consideradas desfavoráveis para investimentos de longo prazo.

O levantamento revela que, para metade das indústrias consultadas, o principal entrave é justamente o custo do dinheiro. Segundo as empresas, juros elevados, crédito mais caro e restrições orçamentárias têm dificultado a aquisição de novos equipamentos e a expansão da capacidade produtiva.

Outros 20% das empresas afirmaram que conseguem aumentar a produção por meio da modernização tecnológica das máquinas já existentes, investindo em automação e ganhos de eficiência. O mesmo percentual informou que ainda possui capacidade ociosa e prefere otimizar turnos e processos internos antes de realizar novos investimentos.

Já 10% disseram priorizar produtos com maior valor agregado e customização, estratégia que reduz a necessidade de ampliar a produção em volume.

Para o vice-diretor do Ciesp-Campinas, Valmir Caldana, o resultado reforça uma tendência observada nas pesquisas realizadas pela entidade ao longo dos últimos anos. “O custo do dinheiro continua sendo o maior problema para a indústria investir em ampliação de máquinas”, afirmou.

Apesar da cautela com novos investimentos, a sondagem industrial mostrou melhora em alguns indicadores econômicos no mês de junho. Metade das empresas registrou aumento no volume de produção e também no faturamento em relação ao mês anterior. Já 20% informaram crescimento no número de funcionários.

Outro indicador considerado positivo é o nível de utilização da capacidade instalada. Segundo a pesquisa, 60% das indústrias operam entre 70,1% e 100% da capacidade produtiva. Na avaliação de Caldana, ainda é cedo para afirmar que a recuperação será consolidada. “Precisamos aguardar os próximos meses para verificar se essa tendência positiva se mantém”, destacou.

EXPORTAÇÕES EM ALTA

Enquanto os investimentos seguem represados, as exportações continuam em alta. Em maio, as empresas da região embarcaram US$ 322 milhões em produtos para o exterior, crescimento de 14,07% em comparação com o mesmo período do ano passado. No acumulado de 2026, as exportações somam US$ 1,4 bilhão, avanço de 3,75%.

Os Estados Unidos permanecem como principal destino dos produtos fabricados na região, respondendo por 19,72% das exportações de maio, seguidos por Argentina (13,86%) e Portugal (5,05%). Sumaré e Paulínia estão entre as cidades que mais exportam na região.

O levantamento também chama atenção para o cenário internacional. O diretor do Departamento de Comércio Exterior do Ciesp-Campinas, Anselmo Riso, alertou que conflitos geopolíticos, tensões comerciais e o aumento dos custos de energia e transporte continuam pressionando o comércio global. “Temos riscos logísticos e rotas estratégicas que seguem impactando os fretes, os seguros e os custos das mercadorias importadas”, afirmou.

O Ciesp-Campinas reúne atualmente 590 empresas distribuídas em 19 municípios da região. Juntas, elas movimentam cerca de R$ 53 bilhões por ano e empregam aproximadamente 98 mil trabalhadores.

 


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