63% dos restaurantes da região esperam faturar mais na Semana Santa
Expectativa positiva é explicada pela alta sazonal do consumo dos pescados na Quaresma, mas cenário financeiro do setor segue pressionado por dificuldade de repasse de custos e aumento de prejuízo; maioria prevê alta de até 10% em venda
A Semana Santa de 2026 deve trazer um respiro para bares e
restaurantes da região de Campinas. Levantamento da Associação Brasileira de
Bares e Restaurantes (Abrasel) mostra que 63% dos estabelecimentos esperam
aumentar o faturamento no feriado em relação ao mesmo período do ano passado. A
maior parte das projeções está concentrada em altas de até 10%, mas há também
uma fatia de empresários que prevê crescimento mais forte ao longo da data.
Os dados da pesquisa mostram que 19% dos empresários esperam
faturar até 5% mais na Semana Santa, enquanto 22% projetam crescimento entre 6%
e 10%. Outros 12% estimam aumento entre 11% e 20%; já 8% esperam faturar até
50% e 2% esperam aumentar acima de 50%. Enquanto isso, 21% acreditam ter
estabilidade, 6% preveem queda e cerca de 10% afirmam que não vão abrir no
feriado.
Para André Mandetta, presidente da Abrasel Campinas, a
Semana Santa surge como uma oportunidade importante de recuperação em um
momento em que muitas empresas operam sob pressão. “A Semana Santa costuma
trazer um aumento relevante de movimento para o setor, reforçado pela alta
tradicional do consumo de pescado durante a Quaresma. É uma data que ajuda a
gerar caixa, atrair clientes e abrir espaço para cardápios mais estratégicos, o
que pode fazer diferença para muitos negócios que vêm de meses apertados”, afirma
ele.
Apesar da expectativa positiva para abril, o desempenho de
fevereiro acendeu um sinal de alerta. A parcela de empresas do setor operando
no prejuízo subiu de 23% em janeiro para 33% em fevereiro, um aumento de cerca
de 10 pontos percentuais. Ao mesmo tempo, 36% dos estabelecimentos ficaram em
equilíbrio e apenas 30% registraram lucro. O dado mostra que quase 7 em cada 10
negócios encerraram o mês sem resultado positivo, em um quadro de pressão sobre
margens e perda de fôlego financeiro.
Outro desafio que vem sendo enfrentado por quem empreende no
setor é a dificuldade de repassar o custo dos insumos para o cardápio. Segundo
o IBGE, a inflação do setor de alimentação fora do lar subiu 0,34% em
fevereiro, abaixo do índice geral, que ficou em 0,70%. A diferença indica que a
pressão inflacionária segue presente e, apesar de uma recomposição parcial de
margens observada no segundo semestre de 2025, os estabelecimentos voltaram a
represar os preços para o consumidor final.
Além disso, 38% das empresas relataram pagamentos em atraso.
Entre as principais dívidas pendentes estão impostos federais (68%), impostos
estaduais (46%), empréstimos bancários (39%), e fornecedores de insumos, como
alimentos e bebidas, (27%).
Segundo Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel, a
combinação entre custos pressionados, dificuldade de reajuste e endividamento
continua exigindo cautela dos empresários. “O setor vem mostrando resiliência,
mas a situação financeira ainda preocupa. Quando a empresa não consegue
repassar custos, perde margem; quando perde margem por muito tempo, compromete
o caixa e aumenta o risco de atrasos. Por isso, datas como a Semana Santa
ganham ainda mais importância, pois elas podem ajudar a recompor a receita”,
afirma.

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