Coluna Olhar de Dentro
O que significa ser herói hoje?
Nesta semana, na terça-feira dia 21 de abril, o Brasil
celebrou o feriado de Tiradentes. Joaquim José da Silva Xavier, o alferes
mineiro que sonhou com um país livre da exploração colonial, foi enforcado em
1792 por ousar desafiar o poder estabelecido. Sua história virou símbolo de
coragem cívica e sacrifício pelo bem coletivo.
Mas o que significa ser herói hoje? Numa época em que a
palavra é usada para tudo, do jogador de futebol ao influenciador digital, vale
a pena resgatar o sentido original. Herói, no sentido cívico, é aquele que
coloca o interesse coletivo acima do próprio conforto. Que assume riscos não
por fama, mas por convicção. Que age quando seria mais fácil fingir que não
viu.
Tiradentes não tinha exército ou riqueza. Não tinha
seguidores nas redes sociais, somente a certeza de que algo precisava mudar e a
disposição de pagar o preço por defender essa ideia. Ele não viveu para ver o
resultado da semente que plantou. Mas sem aquela semente, a história do Brasil
teria sido outra.
Hoje, os heróis que mais precisamos não estão nos livros de
história. Estão nas ruas das nossas cidades. É o professor que insiste em
ensinar com dignidade mesmo com salário defasado. É o agente de saúde que
percorre os bairros debaixo de sol para cadastrar famílias e monitorar as
condições de saúde. É a mãe solo que trabalha o dia inteiro e ainda encontra
energia para ajudar o filho com a lição de casa.
Em Nova Odessa, eu vejo heróis todos os dias. No comerciante
que mantém as portas abertas mesmo em tempos difíceis. No voluntário que dedica
seu tempo livre, sua folga ou final de semana à uma causa que não é sua. No
cidadão comum que faz coisas extraordinárias sem pedir nada em troca.
A coragem cívica de Tiradentes nos lembra que mudanças reais
não acontecem por decreto. Acontecem quando pessoas comuns decidem que não vão
aceitar o inaceitável. Que vão se informar, participar, questionar e agir. Não
com violência, mas com consciência. Não com ódio, mas com propósito.
Talvez o maior tributo que possamos prestar a Tiradentes não
seja repetir sua história, mas honrar o espírito dela: a coragem de acreditar
que um país melhor é possível e a disposição de fazer a sua parte para que isso
aconteça.
E você, que pequeno ato de coragem cívica você pode praticar
esta semana no lugar onde vive?
Juçara Rosolen é mãe, cristã, empreendedora, palestrante e escritora. Juçara
é formada em Pedagogia, Letras e Direito. Proprietária e fundadora do Grupo
Aposerv, que há 16 anos se dedica aos serviços previdenciários administrativos.
É Ex-Presidente da ACINO e atual Presidente do Lions Club de Nova Odessa.

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