Coluna Liderança na Prática
O peso e o privilégio de liderar
Liderar é assumir um compromisso que vai muito além de
metas, números ou resultados visíveis. É carregar um peso diário que poucos
enxergam, mas que todo líder sente. O peso das decisões, das cobranças
silenciosas, das expectativas externas e, muitas vezes, das próprias dúvidas.
Ao mesmo tempo, liderar é um privilégio raro: o de influenciar pessoas,
transformar trajetórias e construir ambientes onde outros possam crescer.
Há quem confunda liderança com status. Mas liderança não
nasce do cargo; nasce da responsabilidade. Um líder verdadeiro entende que tudo
começa nele. Quando o time está desmotivado, desorganizado ou inseguro, o
primeiro olhar precisa ser para a postura de quem lidera. Liderar é ser
referência mesmo quando ninguém está observando. É sustentar valores quando
seria mais fácil ceder.
O peso de liderar aparece nas escolhas difíceis. Nem sempre
a decisão correta será a mais popular. Muitas vezes, o líder precisa escolher o
caminho que gera desconforto no presente para garantir crescimento no futuro.
Isso exige maturidade emocional, clareza de propósito e firmeza de caráter.
Liderar não é reagir; é avaliar cenários, pessoas e consequências antes de
agir.
O privilégio de liderar se revela na construção diária. É
acompanhar o desenvolvimento das pessoas, ver talentos florescendo, perceber a
evolução da confiança e da autonomia. É entender que uma orientação, um exemplo
ou uma conversa no momento certo pode redefinir caminhos. Poucas experiências
são tão significativas quanto contribuir para o crescimento de alguém.
Liderar também é aprender a servir. Quanto maior a
responsabilidade, maior deve ser a disposição para ouvir, orientar e apoiar.
Liderança não é controle, é conexão. Ambientes fortes não se constroem pelo
medo, mas pela confiança. Pessoas não se engajam por obrigação; elas se
comprometem quando sentem pertencimento e propósito.
Outro pilar essencial da liderança é a coerência. Não existe
autoridade sem exemplo. O discurso do líder precisa caminhar alinhado às suas
atitudes. Quando há incoerência, a confiança se rompe. Quando há coerência, o
time segue mesmo diante das adversidades. Pessoas não seguem títulos; seguem
comportamentos.
O peso de liderar também está na solidão de algumas
decisões. Em muitos momentos, o líder precisa sustentar a direção, manter a
serenidade e ser o ponto de equilíbrio em meio à pressão. Nessas horas, o
propósito se torna indispensável. Quem sabe por que lidera consegue atravessar
qualquer desafio.
No fim, quem compreende o peso reconhece o privilégio.
Porque liderar não é estar à frente, mas caminhar junto. Não é ser servido, mas
servir. Não é exercer poder, mas gerar impacto.
Liderar é pesado, sim. E exatamente por isso, é um privilégio.
João Cleto é Bacharel em Direito, Coaching e Mentoring pela
FGV, MBA em Liderança e Equipes de Alta Performance e autor do livro “Liderança
na Prática: Como se Tornar um Líder?”. Atua no desenvolvimento de líderes e
equipes com foco em comportamento,
propósito e resultados.

Deixe um comentário