Cultura
Projeto busca leis de incentivo para viabilizar a produção e ampliar o alcance do filme

Roteiro de Hortolândia vence CristaLab 2026 e ganha projeção no cinema independente

Dirigido por Danilo Pessôa, documentário “Pássaro de Chão” acompanha trajetória do artista Felipe Damasso, que vive com Neuromielite Óptica, e adota o “Cinema Cego” para transformar corpo, som e performance em linguagem audiovisual viva

O roteiro inédito do curta-metragem documental “Pássaro de Chão”, da produtora de Hortolândia Jordana Produções sobre o artista guarulhense Felipe Damasso, foi o grande vencedor do CristaLab 2026, do Festival Internacional de Cinema de Marília. O laboratório, um dos mais importantes do cinema independente paulista, contou também com mentoria de roteiro, direção, produção e pitching.

Dirigido por Danilo Pessôa, que também assina o roteiro ao lado de Felipe Damasso, “Pássaro de Chão” é um mergulho sensorial na vida e na transmutação de Felipe, cuja trajetória é marcada pelo diagnóstico de Neuromielite Óptica (NMO). Esta condição autoimune rara, que ataca o sistema nervoso central, impôs ao artista um ciclo de violência biológica: a perda definitiva da visão e dois episódios distintos de paraplegia. 

O filme cruza a realidade crua da doença com a metáfora do Pássaro Akin, uma figura ancestral enraizada na terra após perder suas asas. Recusando o registro clínico, a obra utiliza o dispositivo do “Cinema Cego” e da performance para transformar o corpo e o som na própria linguagem do filme.

“A vitória no Cristalab chancela a importância da narrativa que estamos construindo. ‘Pássaro de Chão’ desloca o olhar tradicional sobre a deficiência visual para o campo da performance e do próprio fazer cinematográfico. E esse prêmio mostra a força do cinema que está sendo feito no interior paulista”, pontua o diretor Danilo Pessôa.

Para Felipe Damasso, contar sua história por meio do audiovisual é uma oportunidade de ressignificar os sentidos e pautar a sua autonomia artística. “Contar a minha história é falar sobre como a gente pode ressignificar a nossa existência no mundo. A perda da visão e os episódios de paraplegia não me fizeram menos artista. Ao contrário, estou reencontrando cada vez mais uma potência criativa e me reencontrando por meio da arte”, comentou Damasso.

Atualmente em fase de desenvolvimento e desenho de produção, o objetivo agora, após a vitória, é inscrever o projeto em leis de incentivo fiscal voltadas para a cultura, fortalecendo a descentralização da produção audiovisual paulista.

 


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