Projeto musical atende 100 crianças em Sumaré e garante continuidade em 2027
Após 15 meses de oficinas gratuitas de fabricação de instrumentos musicais, iniciativa amplia acesso à cultura nas periferias e terá nova edição com apoio da Honda Automóveis; atividades incentivam criatividade e reduzem tempo diante das telas
Cerca de 100 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social de Sumaré estão concluindo uma experiência de aprendizado musical que vai além das aulas tradicionais. Depois de 15 meses de atividades gratuitas, o projeto “Nascendo para Música” chega à reta final com oficinas dedicadas à construção artesanal de instrumentos de sopro, valorização da cultura brasileira e incentivo à criatividade.
O sucesso da iniciativa já
garantiu sua continuidade em 2027, quando um novo ciclo será desenvolvido com
apoio da Honda Automóveis, por meio do Programa de Ação Cultural (ProAC-ICMS),
do Governo do Estado de São Paulo.
Desenvolvido desde 2024 em parceria com o Instituto Avivar
3º Setor, o projeto oferece oportunidades culturais para moradores de regiões
periféricas do município. Os participantes são crianças e adolescentes
referenciados aos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), que
encontram nas oficinas uma alternativa de aprendizado, convivência e descoberta
de habilidades artísticas.
As atividades são realizadas por meio da Lei Rouanet, com
apoio do Ministério da Cultura e patrocínio das empresas Sotreq S/A, Covabra
Supermercados e Kwangjin. Ao longo do período, os estudantes participaram de
três módulos de formação em luteria, atividade dedicada à fabricação,
manutenção e desenvolvimento de instrumentos musicais.
Entre as experiências que mais despertaram o interesse dos
alunos estão as oficinas de sopro, que combinam conhecimentos sobre o folclore
brasileiro com técnicas artesanais utilizadas há gerações na produção de
instrumentos. Durante os encontros, os participantes aprendem a transformar
materiais simples, muitos deles reaproveitados, em objetos capazes de produzir
diferentes sons.
Bambus, tubos de PVC, garrafas PET, pedaços de madeira,
metais, cordas naturais e outros materiais fazem parte das atividades práticas.
Com orientação dos responsáveis, os alunos conhecem as etapas de construção e
montagem dos instrumentos, desenvolvendo habilidades manuais e aprendendo sobre
o funcionamento de cada peça.
Um dos destaques é a produção de pífanos, também conhecidos
como pífaros, instrumentos de sopro tradicionais que possuem forte ligação com
as manifestações culturais e populares brasileiras. Além de fabricar as peças,
os estudantes aprendem técnicas para extrair os sons, envolvendo controle da
respiração, posicionamento da boca e intensidade do fluxo de ar.
O produtor cultural Klaus Carvalho, responsável pelo projeto
na Lei Rouanet, destaca que a proposta também procura oferecer alternativas ao
uso excessivo de celulares e outros aparelhos eletrônicos, aproximando os
jovens de atividades presenciais e criativas.
“O projeto é uma oportunidade para os jovens deixem as telas
um pouco de lado e reflitam também sobre sustentabilidade ambiental, pois
aprendem a produzir seu próprio instrumento musical utilizando materiais
alternativos e do contato com ferramentas, equipamentos, técnicas e exercícios
que não estão habituados, desenvolvendo a criatividade e descobrindo
habilidades artísticas que nem sabiam possuir”, afirmou.
As oficinas também abordam a origem dos instrumentos, sua
importância histórica e as regiões onde surgiram. Dessa forma, os participantes
conhecem diferentes manifestações culturais e compreendem como a música está
presente nas tradições de diversos povos.
Na parte prática, são trabalhadas técnicas de fabricação de
aerofones, instrumentos que produzem sons pela vibração do ar; membranofones,
que utilizam membranas; cordofones, que produzem sons por meio de cordas; e
idiofones, nos quais o próprio corpo do instrumento vibra.
A proposta permite que os alunos tenham contato tanto com
conceitos artísticos quanto com conhecimentos relacionados à sustentabilidade e
ao reaproveitamento de materiais. O trabalho também estimula a coordenação
motora, a concentração e a colaboração entre os participantes.
Durante os encontros, todos os materiais pedagógicos,
ferramentas e equipamentos são disponibilizados gratuitamente. Os alunos também
recebem equipamentos de proteção individual, como luvas, óculos e máscaras,
para realizar as atividades com segurança.
Além da formação musical, os organizadores destacam a importância da convivência entre os estudantes. As oficinas proporcionam momentos de interação e troca de experiências, contribuindo para o fortalecimento dos vínculos sociais e comunitários.
NOVO CICLO
Com a conclusão das atividades previstas para o atual ciclo,
o projeto já se prepara para uma nova etapa em Sumaré. A continuidade em 2027
contará com patrocínio da Honda Automóveis, por meio do ProAC-ICMS, mecanismo
estadual de incentivo à cultura.
A renovação permitirá dar sequência à proposta de oferecer
experiências artísticas gratuitas para crianças e adolescentes, especialmente
aqueles que vivem em regiões com menor acesso a atividades culturais.
A realização acontece em parceria com o Instituto Avivar 3º
Setor, organização sem fins lucrativos fundada em 2005 e reconhecida como Ponto
de Cultura pelo Ministério da Cultura. A instituição também possui certificação
cultural da Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de
São Paulo.
Com atuação nas áreas cultural, esportiva, ambiental e
social, o instituto mantém atividades gratuitas em Sumaré e disponibiliza seus
espaços para iniciativas destinadas à população.
O trabalho desenvolvido pelo “Nascendo para Música” reforça
a importância de ampliar as oportunidades de formação cultural na infância e
adolescência. Ao construir os próprios instrumentos, os estudantes não apenas
aprendem música, mas também descobrem novas possibilidades de expressão e
desenvolvimento pessoal.
Mais informações sobre as atividades do Instituto Avivar
podem ser consultadas no site www.avivar3setor.org.br ou pelo Instagram
@avivar3setor.

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