Cultura
Voluntários da entidade atuam como contadores de histórias em hospitais da região

Dia do Contador de Histórias destaca ações regionais da Associação Griots

Este dia 20 de março convida a homenagear uma das artes mais antigas e fundamentais da humanidade: a contação de histórias. Muito antes da escrita, tradições, saberes e histórias foram preservados e passaram de geração em geração através da fala. Assim também ocorreu com a arte de contar histórias, que segue viva, encantando crianças e adultos em diferentes contextos e momentos de vida.

Em Campinas, essa prática milenar segue a todo vapor, e com o propósito extra: levar alegria e conforto a pacientes, especialmente crianças, internados em hospitais. Essa é a atuação da Associação Griots – Os Contadores de Histórias, que nasceu em 2003 e é formada por voluntários que contam histórias em hospitais de Campinas e região. O nome escolhido pelo grupo não é por acaso; remete aos sábios africanos de regiões como Senegal e Mali, figuras tão vitais que eram poupadas em tempos de guerra. Dizia-se que a morte de um Griot equivalia ao incêndio de uma biblioteca inteira.

A Associação Griots nasceu a partir da iniciativa de um grupo de amigos, que decidiu levar o encantamento das palavras para o setor de pediatria do Hospital de Clínicas da Unicamp. Mais de duas décadas após sua criação, a atuação dos Griots alcança cidades como Sumaré, Paulínia, Hortolândia, Itapira e Indaiatuba. Atualmente, a Associação Griots conta com patrocínio da CPFL Energia e Unimed Campinas, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, apoio do Instituto CPFL e assessoria cultural da Direção Cultura.

No último ano, o trabalho voluntário da associação foi refletido em números expressivos, com cerca de 500 pessoas atendidas por mês. Mas o que move mesmo a ação dos voluntários é a satisfação pessoal. A voluntária Alda Maria Izidorio, de 74 anos, participa das ações da associação há mais de 10 anos e resume o significado da atividade: “Contar histórias para as crianças é o meu propósito de vida. Cada encontro transforma não só quem escuta, mas também quem conta.”

A contação de histórias vai muito além do simples entretenimento, especialmente nos hospitais. Para crianças hospitalizadas, as narrativas ajudam a reduzir a ansiedade, diminuem o medo de procedimentos médicos e oferecem momentos de distração e conforto. Estimulam a imaginação e a criatividade, além de incentivar o gosto pela leitura, mesmo em situações de isolamento ou fragilidade física.

TRATAMENTOS PROLONGADOS

Para idosos e pacientes em tratamentos prolongados, a prática funciona como ferramenta de humanização: cria vínculos afetivos, fortalece a memória, promove a socialização e diminui a sensação de solidão. Profissionais de saúde também observam que os encontros colaboram para um ambiente mais acolhedor, facilitando o trabalho terapêutico e trazendo leveza ao cotidiano hospitalar.

Anualmente, a Associação Griots promove um treinamento, para receber novos voluntários, que, numa primeira fase, recebem instruções sobre o ambiente hospitalar, a importância do comprometimento ao realizar o serviço voluntário, os benefícios da contação da história como ferramenta de escuta e acolhimento, entre outros tópicos, que incluem uma conversa com uma psicóloga da entidade.

Depois, os candidatos iniciam uma etapa de estágio, em que acompanham contadores de histórias experientes em visitas aos hospitais, até a data da formatura, um encontro que encerra o processo formativo e marca a entrega do avental e do crachá aos novos voluntários, símbolos do início oficial da missão de contar histórias e acolher pacientes com palavras, escuta e sensibilidade.


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