Saúde
Mães de crianças com autismo de Sumaré fizeram protesto em frente a Beneficência Portuguesa

Mães pedem que convênio mantenha tratamento de crianças com autismo na Associação Pestalozzi

Comunicado encaminhado para mães informa que devido a falta de acordo e de pagamento do plano de saúde para a associação sumareense, atendimento de 21 crianças será feito até 31 de março

Da Redação | Tribuna Liberal

Mães de crianças com autismo atendidas pela Associação Pestalozzi, em Sumaré, realizaram, nesta quarta-feira (20), um protesto em frente ao convênio Beneficência Portuguesa, na avenida Andrade Neves, em Campinas. O motivo alegado por elas é que o plano de saúde deixou de pagar o tratamento de 21 crianças autistas na associação sumareense. Com a falta de acordo, a associação encaminhou um comunicado às mães dizendo que não conseguiria mais atender pacientes deste convênio a partir de 31 de março. As mães não querem o atendimento aos filhos em outra localidade, como propõe o convênio, devido às dificuldades de deslocamento.

“Precisamos de ajuda para denunciar o convênio, que não está pagando o atendimento de 21 crianças autistas na Associação Pestalozzi. Fomos notificados que as terapias serão canceladas. É um prejuízo enorme no desenvolvimento, causando crises nas crianças e inúmeros outros problemas. Tenho gêmeos autistas que estão nesta lista, tenho o comprovante de todos os pagamentos do convênio”, disse Thais Brito Luiz de Oliveira, moradora do Jd. Dall’Orto.

Thaís mencionou que a falta de pagamento dura há meses, segundo informações obtidas junto à Pestalozzi. As mães receberam um comunicado da associação informando que com a falta de pagamentos por parte da Beneficência Portuguesa, a Pestalozzi fará o atendimento das crianças até 31 de março e depois desse período não atenderá mais pacientes do respectivo convênio.

“Precisamos que eles voltem a pagar para que nossos filhos não fiquem sem atendimento. Um dos meus gêmeos não fala ainda, tem muitas dificuldades, vinha evoluindo bastante, se ficar sem atendimento afeta demais o desenvolvimento. Sem falar que se mudar de local, vai afetar demais ele de várias formas, os dois já estão acostumados com a rotina e os profissionais”, reclama a mãe.

Cristiana Jacobi Bonifácio Galhardo, moradora do bairro Virgílio Viel, apontou a necessidade da continuidade do tratamento infantil. “Nós fazemos terapia aqui na Pestalozzi de Sumaré, já tem alguns anos, tem gente que está bem mais tempo que eu, e o Beneficência Portuguesa não está pagando as contas aqui, porém a gestora da Pestalozzi, que é uma pessoa muito maravilhosa, está mantendo a gente aqui praticamente de graça, porque eles não estão recebendo, mas ela está mantendo a gente, porém ela não consegue mais manter a gente, porque ela tem muito terapeuta para poder pagar, então foi dado um prazo para a gente se manifestar com o plano até dia 31 de março”, relatou.

Cristiana reforçou que o atendimento, nessas condições, não poderá ser mantido devido à impossibilidade de custeio. “A nossa maior queixa é a seguinte: nós precisamos fazer nossas terapias aqui, porque nossas filhas são autistas, a maioria dos autistas aqui tem comorbidades, uns comorbidades motoras, são cadeirantes, a gente não tem condição de dirigir na pista, porque essas crianças têm crise dentro do carro, a minha filha por exemplo, ela tem o diagnóstico também de neurofibromatose, ela passa mal, ela vomita no carro. Quando eu vim pra cá foi justamente por causa disso, porque ela passa muito mal, então a Pestalozzi pra nós é acessível, é próxima das nossas casas, é próxima da escola dos nossos filhos. Já eles (convênio) querem mandar a gente para Campinas, mas como que elas estudariam, como que cumpririam uma carga horária na escola, aí precisaríamos depender da Anhanguera (rodovia) pra chegar até lá, coisa que as mães aqui não conseguem”, queixa-se Cristina.

As mães relataram também que a manifestação não teve o intuito de causar desordem, mas “reivindicar direitos”.

OUTRO LADO

A Associação de Saúde Portuguesa de Beneficência, operadora de plano de saúde, informou que, a partir de 02 de abril de 2024, haverá uma mudança no local de atendimento para as crianças com TEA (Transtorno do Espectro Autista) que são atendidas na Associação Pestalozzi de Sumaré.

“Em virtude de ajustes operacionais, as crianças com TEA continuarão a receber o suporte necessário, porém, serão encaminhadas para uma clínica credenciada pela nossa operadora. É importante ressaltar que esta mudança não acarretará nenhum prejuízo aos atendimentos, garantindo-se a continuidade dos cuidados e serviços de qualidade aos nossos beneficiários. Estamos comprometidos em assegurar o bem-estar e o desenvolvimento saudável de cada criança, proporcionando um ambiente seguro e acolhedor para seu progresso”, diz a nota.

“A nova clínica credenciada foi selecionada com rigorosos critérios de qualidade, garantindo que os serviços prestados atendam às necessidades específicas das crianças com TEA. Salientamos que qualquer dúvida ou questão adicional pode ser esclarecida junto ao nosso atendimento ao cliente, que estará disponível para auxiliá-los durante todo o processo de transição”, completa a nota da operada do plano de saúde.

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