Eleitores da região enfrentam longas filas para votar no primeiro turno

Dificuldade para fazer o reconhecimento do eleitor por biometria, número de cargos para votar e falta de “colinha” com número dos candidatos seriam a causa da demora, segundo cartórios eleitorais

Eleitores da região enfrentaram longas filas para votar no primeiro turno das eleições. Teve gente que esperou mais de duas horas para conseguir entrar na seção eleitoral. O principal motivo, segundo os cartórios eleitorais, foi a dificuldade na hora de validar a biometria na identificação do eleitor. Além disso, muitos eleitores deixaram de levar uma anotação em papel com o número dos candidatos e se atrapalharam na hora de votar.

Raquel Silva, moradora de Hortolândia, conta que esperou quase duas horas na fila para conseguir votar na Escola Guido Rosolém. Chegou ao local por volta das 11h e saiu às 12h50. “É cansativo ficar tanto tempo em pé”, desabafou a moradora do Parque Orestes Ôngaro.

O prefeito de Hortolândia, Zezé Gomes (PL), também pegou fila na Escola Estadual Pastor Roberto Rodrigues de Azevedo, seu domicílio eleitoral, mas, encarou a espera de modo descontraído. “É a festa da democracia”, comentou o chefe do executivo, que vestia uma camiseta vermelha com o adesivo de Ana Perugini, candidata a deputada estadual eleita com seu apoio com mais de 79 mil votos.

Nesta eleição, o eleitor precisou votar para cinco cargos: deputado federal, seguido por deputado estadual, senador, governador e presidente. Pela primeira vez, os eleitores tiveram o tempo extra de um segundo para conferir cada voto na urna eletrônica.

De acordo com o chefe do Cartório Eleitoral de Hortolândia, Dalberson Bernardino de Almeida, os motivos do atraso na votação já eram previstos pelo TRE-SP (Tribunal Regional do Estado de São Paulo) de São Paulo. “O voto por biometria e a quantidade de cargos a serem escolhidos pelos eleitores certamente causariam a demora e, consequentemente, a fila nas seções”, observou.

Segundo Almeida, em muitos casos foram necessárias diversas tentativas de reconhecimento da digital do eleitor para conseguir liberar a votação. “Além disso, alguns eleitores não levaram a sua colinha anotada em papel e isso também causou demora”, assinala o chefe de cartório.

“Para o segundo turno, o reconhecimento da biometria poderá ser ainda um motivo a causar filas nas seções eleitorais, contudo, nossos mesários adquiriram experiência no primeiro turno. Temos que levar em consideração que essa eleição é a primeira que estamos fazendo uso do reconhecimento biométrico como forma de identificação do eleitor”, ponderou Almeida.

TSE vai analisar demora, afirma ministro Alexandre de Moraes

Em entrevista coletiva após a totalização dos votos, o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Alexandre de Moraes, afirmou que eventuais demoras e a geração de filas de votação serão analisadas individualmente.

Segundo ele, os motivos seriam concorrentes. Entre as causas, estariam aproximadamente 7,5 milhões de eleitores que decidiram ir às urnas, em vez de optar pela abstenção.

A alteração na urna eletrônica que incluiu um segundo de pausa até a confirmação entre um voto e outro para que o eleitor pudesse verificar se o candidato escolhido estava correto também foi apontada como um dos motivos do atraso.

Em alguns casos, o leitor biométrico também não conseguiu verificar a identidade do eleitor. “Isso é um problema que, [conforme] alguns especialistas afirmam, a utilização de dois anos de álcool em gel, às vezes, dificulta o reconhecimento da digital. Isso será verificado”, afirmou o ministro do TSE.

O pico nos horários de votação também será analisado, segundo o Tribunal. No segundo turno das Eleições, dia 30 de outubro, a expectativa é a de que o eleitor leve menos tempo para votar porque o número de candidatos será menor: governador e presidente, no caso do Estado de São Paulo.

Boca de urna e compra de votos motivaram prisões durante votação

Os crimes de boca de urna, compra de votos e de violação do sigilo do voto motivaram as prisões em flagrante realizadas no domingo (2) durante o primeiro turno das eleições.

De acordo com balanço divulgado nesta segunda-feira (3) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, 1.378 crimes eleitorais foram registrados durante a votação e 352 pessoas foram presas.

De acordo com a legislação eleitoral, quem foi preso em flagrante por boca de urna responderá a processo, que pode terminar com condenação a pena de seis meses a um ano de prisão. A condenação pode ser convertida em prestação de serviços à comunidade e o pagamento de multa de até R$ 15,9 mil.

A tentativa de violação do sigilo do voto pode levar à condenação de até dois anos de prisão. A compra de votos é punida com pena de prisão de até quatro anos e pagamento de multa.

PROPAGANDA

A Justiça Eleitoral registrou 4.872 denúncias de propaganda eleitoral no dia da eleição, que é proibida. Desde o início da campanha eleitoral, em 16 de agosto, foram recebidas 37.026 denúncias.

As denúncias foram enviadas pelo aplicativo Pardal, ferramenta digital criada em 2014 e que permite ao cidadão denunciar reclamações contra as campanhas. Após o recebimento, as queixas são enviadas ao Ministério Público Eleitoral (MPE). O processo poderá acabar na condenação ao pagamento de multa pelo candidato, coligação ou partido. 

Deixe um comentário