Esportes

Nos EUA, morador de Hortolândia completa Maratona de Boston, a mais antiga do mundo

Ivan Leite Martins disputará, também neste ano, Maratona de Nova Iorque


A conquista no esporte é o resultado de treinamento, dedicação, disciplina e amor. O objetivo não é concluído da noite para o dia, são horas, meses e até anos de foco total para chegar ao topo.

Agora, imagina representar a cidade e o país na maratona anual mais antiga do mundo ? Não parece uma tarefa fácil, mas o morador de Hortolândia, Ivan Leite Martins, 40 anos de idade, provou ser possível, escreveu o nome da cidade e levou as cores do Brasil nos mais de 42 quilômetros da 126º edição da Maratona de Boston, nos Estados Unidos, disputada na segunda-feira (18/04). E quais caminhos Martins teve que percorrer para chegar até lá? Ele nos contou passo a passo desta “batalha”.

“Me mudei para Hortolândia em 2014 e sempre gostei de atividades físicas. Praticava caminhada e futebol. Até que amigos do trabalho me apresentaram as corridas de rua. Me apaixonei. Na cidade, comecei a correr e participar de provas de ruas de cinco quilômetros com meus amigos. Comecei a correr para manter o peso e melhorar saúde. Com o tempo, veio a vontade de melhorar o tempo percorrido e, cada vez mais, estava envolvido com o esporte”, conta o encarregado do tratamento dos sistemas de água e esgoto da unidade de Hortolândia da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo).

Sorocaba, no interior de São Paulo, foi a primeira cidade escolhida para que o morador do Condomínio Vila Flora disputasse uma maratona. “Concluí a corrida, mas fiquei realmente cansado, porém descobri que as distâncias me motivavam”, conta.

Com os treinamentos, vieram a melhora na performance e, no final de 2016, passou a contar com a assessoria da Top Energy Run, empresa hortolandense de consultoria esportiva, para que pudesse realizar o objetivo de também participar em uma maratona de 42 quilômetros. Foram diversos desafios até obter o índice para a Maratona de Boston.

 “Me preparei para ultramaratonas. Cheguei a fazer 217 quilômetros sem parar em 35 horas direto, uma corrida chamada non stop. Também participei da maratona chamada Floripa42K, em junho de 2019 e, neste mesmo ano, participei da Maratona de Chicago, nos Estados Unidos, conquistando um tempo ainda menor, o que é essencial para a obtenção de índices que contribuam para a minha participação em grandes maratonas”, comenta Martins.

A “CORRIDA PELA CORRIDA”

Com ótimos índices nas maratonas, abaixo de 3 horas, o sonho da disputa da Maratona de Boston estava mais perto e, para o itapetininguense, que escolheu Hortolândia como cidade do coração, bastava a inscrição para participar de uma das maiores maratonas mundiais. “Aí começou a minha luta”, explica.

Com a inscrição aceita para a disputa em 2020, um inimigo mortal e silencioso assolou o mundo. A pandemia do Coronavírus interrompeu a disputa por quatro vezes, mas como bom esportista, Martins não desistiu. “Em todo adiamento, disputava a vaga com índice. Durante a pandemia foram quatro disputas virtuais. Nesse intervalo, fiz algumas ultramaratonas e acabei lesionado no final do ano passado. Consegui a recuperação a tempo para participar da Maratona de Boston e, após muito esforço e com apoio da família, amigos e da consultoria esportiva, mesmo não estando 100% fisicamente, ao lado de aproximadamente 30 mil participantes, entre eles, 300 brasileiros que foram selecionados, com uma temperatura de sete graus, me aventurei para completar os quase 42 quilômetros da maratona”, conta.

Entre os milhares de inscritos na Maratona de Boston, Martins ficou entre os 700 melhores com competidores até os 40 anos de idade, figurou na posição 4.032 entre os homens e na posição 4.435 entre as categorias mistas (homens e mulheres). Ele não para por aí e, no final deste ano, disputará mais uma das chamadas Majors Marathon, em Nova Iorque, também nos Estados Unidos.

“Já participei das maratonas de Chicago, Boston e, agora a meta é a de Nova Iorque. Após essa, faltará as de Londres (Reino Unido), Berlim (Alemanha) e Tóquio (Japão). Para completar a meta que é conquistar a Six Star Medal, premiação para o maratonista que participou destas seis provas, as mais importantes do mundo”, explica Martins. Hortolândia continuará a torcida para que “seu filho ilustre” continue levando o nome da cidade pelos quatro cantos do mundo pelo esporte.

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