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Levantamento mostra que 68,42% dos profissionais que trabalham com coleta de resíduos são mulheres

Mulheres são maioria nas cooperativas de reciclagem da região, diz Consimares

Nos municípios de atuação do Consórcio, elas representam quase 70% dos profissionais que trabalham com a reciclagem e se destacam, também, na gestão das organizações

Da Redação | Tribuna Liberal

As mulheres são a maioria nas cooperativas de reciclagem da região do Consimares (Consórcio Intermunicipal de Manejo de Resíduos Sólidos da Região Metropolitana de Campinas). Levantamento realizado pelo Consórcio mostra que 68,42% dos profissionais que trabalham com a coleta, triagem e comercialização de resíduos urbanos (papel, plástico, vidro e alumínio) são mulheres e 31,57% homens.

Os dados têm como base cooperativas de reciclagem localizadas em Hortolândia, Nova Odessa, Santa Bárbara d´Oeste e Sumaré, quatro das sete cidades do Consórcio que possuem essas associações que, juntas, somam 76 cooperados, 52 deles mulheres.

“Esses números mostram a força, eficiência e o valor da mulher na reciclagem de resíduos. Elas trabalham em todas as frentes, desde a coleta até a venda dos materiais, e, também, em cargos de gestão dessas organizações. São mulheres que transformam resíduos em fonte de renda para a família e desempenham papel fundamental na gestão de resíduos nos municípios”, afirma o presidente do Consimares, Mauricio Baroni.

Em Santa Bárbara d´Oeste, a Cooperativa Junto Somos Fortes é comandada por Elisabete Maria de Lima Matos, 40 anos. Lá a mão de obra feminina responde por 82,61% do total de 27 trabalhadores: 23 mulheres e quatro homens.

“A mulher demonstra sua capacidade, autonomia e força de trabalho também na gestão de resíduos, antes dominadas por homens... Chegamos para mostrar nossa importância e capacidade em grau de igualdade em qualquer função, com a sensibilidade feminina e conhecimento. A área de reciclagem é ampla, tem crescido muito, temos nos capacitado para isso e estamos deslanchando...”, afirma Elisabete.

Para ela, fazer a gestão da cooperativa, onde predomina a participação da mulher, vai além das questões administrativas, de logística e comercialização dos materiais coletados. “O maior desafio é entender quem está aqui. Ter empatia. Porque a gente percebe que quando chega a mulher na cooperativa, ela não vem sozinha, essa mulher tem uma família, filho, boa parte das vezes ela é arrimo de família”, observa a presidente da organização.

A Cooperativa Juntos Somos Fortes presta serviço para a Prefeitura de Santa Bárbara d´Oeste. Segundo Elisabete, todos os dias chegam à cooperativa, em média, duas toneladas de recicláveis, que passam por triagem e, depois, são vendidos. Dois caminhões são utilizados na coleta. O trabalho gera uma renda média de R$ 2 mil por mês para cada cooperado.

Elisabete conta que participa da organização desde a sua fundação, sete anos atrás, quando a cooperativa funcionava na Favela Zumbi dos Palmares, e era fonte de renda para catadores de reciclagem que moravam no local, incluindo Elisabete.

“O desemprego me levou a trabalhar com a reciclagem, virar cooperada. Conseguimos fazer nesses sete anos, uma das cooperativas mais bem organizadas logisticamente, no layout produtivo, na gestão, higiene...graças ao trabalho e sensibilidade das mulheres. Acredito que esse seja um diferencial da Juntos Somos Fortes: ter em sua maioria mulheres que lideram a produção, a administração, a coleta...”, orgulha-se a presidente da Juntos Somos Fortes.

AVANÇO COM ELAS

Os avanços na gestão de resíduos têm ampla participação feminina, desde a fundação do Consimares, 15 anos atrás. O superintendente do Consórcio, Mimo Ravagnani, destaca que as mulheres representam boa parte do grupo técnico do Consimares composto por secretários, diretores e profissionais da área ambiental dos sete municípios consorciados.

“A presença da mulher, com seu conhecimento, competência e sensibilidade, tem sido fundamental para os municípios darem passos importantes para a execução do Plano Intermunicipal de Gestão de Resíduos e avançar nas metas para alcançar eficiência plena na gestão de resíduos de modo sustentável”, observa Ravagnani.

A secretária de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Prefeitura de Hortolândia, Eliane Nascimento, faz parte desse grupo. A cidade é referência para o Brasil na gestão de resíduos, com estrutura que inclui coleta seletiva porta a porta, realizada em parceria com uma cooperativa, além de ecopontos e locais para entrega voluntária de recicláveis em todas as regiões da cidade.

“Assim como em outros setores, na gestão de resíduos a mulher também desempenha o papel de influenciadora, persistente e organizada. Observando cenários de cooperativas de reciclagem, as mulheres compõem o maior número de cooperados. Quando falamos de práticas sustentáveis, principalmente na separação dos resíduos, quem se destaca é a mulher que, na maioria das vezes, é responsável, também, pela administração do lar e da família”, comenta Eliane.

A engenheira ambiental Maria Tereza Gomes Carneiro Candido é a representante de Monte Mor no grupo técnico do Consórcio. Ela é porta-voz do município nas decisões técnicas do Consimares e na execução das ações em Monte Mor. Atualmente, Maria Tereza acompanha o projeto para a implantação da coleta seletiva de resíduos na cidade, em fase final de estudo.

“Acredito que pela mulher ter uma visão mais cuidadosa e detalhista de todo cenário que compõe o ambiente, essas características tornam mais eficiente e eficaz a abordagem, também, relacionada à questão dos resíduos”, comenta Maria Tereza.

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