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Modelo de privatização da Sabesp é o follow on, oferta pública de ações na Bolsa de Valores

Estado diz que contratos atuais da Sabesp poderão ser prorrogados até 2060

Governo ainda afirma que haverá redução de tarifa com desestatização, sem comprometer caixa da empresa e defende que o novo modelo vai destravar crescimento da companhia; medida atinge três cidades da região

Paulo Medina | Tribuna Liberal

O Governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) lançou nesta terça-feira (05) um guia informativo sobre a desestatização da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), responsável pelos serviços de água e esgoto em Hortolândia, Paulínia e Monte Mor na região. 

Na cartilha, o governo afirma que os contratos atuais de concessão firmados pela companhia poderão ser prorrogados até 2060. Além disso, destaca que haverá redução de tarifa sem comprometer o caixa da empresa. Cerca de 411,8 mil moradores, atendidos na região podem ser contemplados com a possível redução tarifária.

“A desestatização da Sabesp permitirá transformar a Sabesp em uma plataforma de saneamento multinacional; a Sabesp sairá da desestatização renovada; seus contratos atuais de prestação de serviço poderão ser prorrogados até 2060, proporcionando sustentabilidade econômico-financeira para a empresa”, afirma o Estado no documento.

“Parte dos recursos da desestatização será utilizada para reduzir a tarifa em um primeiro momento, sem prejudicar o caixa da empresa nem os demais acionistas. Está sendo estruturado um marco regulatório que dê previsibilidade à tarifa e estimule ganhos de eficiência na gestão da empresa”, frisa o Estado em outro trecho do documento analisado pelo Tribuna Liberal.

A ideia da cartilha, segundo o governo, é “oferecer subsídios aos cidadãos sobre os benefícios à população paulista com a operação. O material demonstra como o modelo da desestatização poderá ampliar investimentos no Estado, reduzir tarifas e tornar a Companhia uma plataforma multinacional do setor. No total, serão beneficiadas 10 milhões de pessoas, até 2029 – sendo 1 milhão de novos usuários de áreas rurais, irregulares consolidadas ou comunidades tradicionais”.

“Queremos garantir a transparência sobre o projeto de desestatização, com o compartilhamento de informações em todas as suas fases, e dar segurança à população de SP de que optamos por um modelo que pode antecipar a universalização dos serviços de saneamento para 2029, além de garantir mais investimentos para todo o sistema aliado à redução tarifária”, afirma Natália Resende, secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo.

O guia revela, ainda, que os profissionais da Sabesp terão oportunidades de carreira “com uma Companhia em crescimento”, com exemplos de empresas brasileiras que, após a desestatização, se tornaram líderes de seus mercados.

NOVO MARCO

O material esclarece que vários pontos levantados sobre a desestatização da Sabesp estão balizados pela lei 14.026/2020, que estabeleceu o Novo Marco do Saneamento. A legislação traz incentivos à regionalização do saneamento básico, a cotitularidade entre estado e municípios, quando as infraestruturas são compartilhadas, e a abertura do setor ao capital privado.

Segundo o Novo Marco, toda a população brasileira deve ter, até 2033, 99% de abastecimento de água e 90% de coleta e tratamento de esgoto, além de incluir pessoas hoje não contempladas nos atuais contratos, como aquelas localizadas em áreas rurais, irregulares consolidadas, comunidades tradicionais e povos originários.

O Estado de São Paulo deve antecipar a meta em quatro anos e incluir a população hoje não atendida, que chega a 1 milhão nos 375 municípios atendidos pela Sabesp. Outra diretriz é a regionalização do setor. Ou seja, o planejamento deve ser feito, em conjunto, por Estado e municípios, sobretudo nos casos em que as infraestruturas são compartilhadas.

DESAFIOS

O material detalha que a Sabesp é a maior empresa de saneamento das Américas, em população atendida, e uma das cinco maiores do mundo, em receita. “Mas ela pode mais, e tem potencial para se tornar uma plataforma multinacional de saneamento. A desestatização vem para destravar o crescimento da empresa”, afirma.

Além disso, os investimentos para a universalização serão realizados pela própria Companhia. E, para garantir a sustentabilidade-econômica no longo prazo e uniformizar os diferentes prazos hoje existentes, dando também mais segurança jurídica à preservação dos serviços, o objetivo é prorrogar os contratos de concessão até 2060.

Também detalha o modelo escolhido para a desestatização da empresa, o follow on. Trata-se de oferta pública de ações da empresa, listada, desde 1998, na B3, e desde 2002, na Bolsa de Valores de Nova York. No caso da Sabesp, parte dos recursos captados com as ofertas será utilizada para reduzir tarifa, de imediato, e olhando o longo prazo, segundo o governo.

REGIÃO

Na região, o governo do prefeito Zezé Gomes, em Hortolândia, já se posicionou contra a privatização da companhia.

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